Governo de Minas transfere a capital para Ubá e anuncia pacote de investimentos para a infraestrutura da cidade
31 de março de 2026
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, participou, nesta terça-feira (31/3), da cerimônia de transferência da capital do estado para Ubá, na Zona da Mata, quando anunciou uma série de medidas do Governo de Minas para socorrer e reestruturar o município, que decretou situação de calamidade, em decorrência das chuvas que atingiram a cidade, em fevereiro deste ano.
Ubá será a capital de Minas Gerais até a próxima sexta-feira (3/4). A cidade da Zona da Mata mineira é a terceira a receber a transferência temporária, ação que integra o projeto itinerante Governo Presente, que teve início em Uberlândia e contemplará 19 cidades do estado até junho.
O chefe do Executivo mineiro reforçou a importância do ato de aproximar a administração pública estadual das diversas regiões de Minas, estimulando o diálogo federativo, a articulação institucional e a presença do Estado nos territórios.
"A gente dá continuidade ao programa Governo Presente, levando a estrutura de governo a essas cidades durante os primeiros 100 dias de mandato, em uma lógica de lembrar às pessoas que a maior parte da riqueza e da população de Minas Gerais está no interior", disse Mateus Simões.
Pacote de Socorro
Durante a transferência da capital, o governador Mateus Simões assinou um despacho governamental que estabelece medidas para socorrer a cidade de Ubá. O Governo de Minas irá colaborar com a reestruturação da infraestrutura do município, repassando recurso financeiro para a reconstrução de quatro pontes danificadas, que atualmente estão interditadas.
Serão investidos cerca de R$ 48 milhões para a reconstrução das ponte da Major Figueira (Cristiano Roças), da Geladeira, do Frigorífico e da Fazendinha. Os recursos para a intervenção serão provenientes do Acordo de Reparação do Rio Doce, assinado em outubro de 2024 pelos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo com a União, Defensorias Públicas e Ministérios Públicos dos dois estados, Defensoria Pública e Ministério Público da União, e as empresas Samarco Mineração S.A., Vale S.A. e BHP Billiton Brasil Ltda. O rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015, deixou 19 mortos e causou graves impactos sociais, ambientais e econômicos em Minas e no Espírito Santo.
"Além disso, nós temos algumas intervenções muito importantes, vamos reconstruir a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), vamos reconstruir os nossos postos de saúde que foram destruídos pela chuva. Então Ubá vai contar com uma presença muito forte nossa ao longo das próximas semanas, para garantir que todo o recurso nessa reconstrução aconteça na parte urbana", anunciou o governador de Minas Gerais.
Nova sede da universidade
O governador de Minas Gerais também assinou despacho autorizando a construção da nova sede da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) de Ubá. O documento determina que as secretarias de Estado de Educação (SEE/MG), de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra) e a reitoria da Uemg iniciem a elaboração dos projetos da obra do novo campus, que será construído em terreno doado pela Prefeitura de Ubá, localizado fora de área de risco de alagamento.
Serão investidos aproximadamente R$ 20 milhões na construção da unidade, que atende cerca de 25 municípios e conta com aproximadamente 400 estudantes e 50 servidores.
A sede atual da Uemg sofreu danos estruturais significativos e inundação severa durante as chuvas de fevereiro. Localizada às margens do rio Ubá, a unidade teve a biblioteca e os laboratórios de ciências biológicas, química e análise de água completamente submersos após o nível do rio atingir 7,8 metros.
Defesa Civil nas escolas
Outro anuncio importante realizado pelo Governo de Minas no evento foi o lançamento do programa Defesa Civil da Escola. A iniciativa da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Minas Gerais (Cedec-MG) e da SEE/MG tem o objetivo de promover a cultura da autoproteção no ambiente escolar e preparar os estudantes, educadores e comunidades para lidar com situações de risco e desastres.
A primeira fase do programa terá início nas cidades de Ubá e Juiz de Fora e, posteriormente, será ampliada para as 46 Superintendências Regionais de Ensino (SREs), alcançando 1.273 escolas, distribuídas em 293 municípios mineiros, com atendimento a 42,6 mil estudantes do 4º ano do ensino fundamental.
A ação integra o Plano Estadual de Educação em Proteção e Defesa Civil e, neste primeiro momento, será implementada em escolas localizadas em áreas mais vulneráveis, ampliando a capacidade de prevenção e resposta das comunidades escolares, preparando as novas gerações para enfrentar desafios ambientais de forma consciente e responsável.
"Imagina se aquela chuva tivesse acontecido em horário comercial com as nossas crianças dentro das escolas, como seria o desespero nas escolas aqui da parte central da cidade que foram atingidas. É preciso que as crianças estejam prontas para a prática do autossalvamento”, explicou Mateus Simões.
Entrega de veículos
O Governo de Minas também entregou, durante o evento, quatro viaturas para as prefeituras de Ubá e Cataguases, que serão utilizados para fortalecer a atuação das equipes de Defesa Civil municipais. São caminhonetes com carroceria aberta, cabine dupla, quatro portas e capacidade para até cinco ocupantes, além de capacidade de 750 quilos de carga, permitindo o transporte de equipamentos e materiais de apoio em campo.
Com essa estrutura, os veículos garantem mais autonomia, mobilidade e capacidade de resposta às equipes locais, especialmente em áreas de difícil acesso.
Colégio Tiradentes
A expansão da rede Colégio Tiradentes na Zona da Mata também foi um dos investimentos anunciados pela atual gestão na região. Uma escola estadual da cidade de Leopoldina terá seu modelo de ensino adequado ao Colégio Tiradentes, com 50% das vagas destinadas filhos de militares e a outra metade para civis, pessoas da comunidade.
Atualmente, a rede do Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) conta com 30 unidades distribuídas em diversas regiões do estado, atendendo cerca de 24 mil estudantes na educação básica, do ensino fundamental ao médio, tanto na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) quanto no interior.
Desde 2021, os investimentos na rede somam mais de R$ 343 milhões, com previsão de alcançar cerca de R$ 453 milhões até 2026, incluindo ações de manutenção, infraestrutura, apoio pedagógico e melhorias nas unidades.