Audiência pública debate impactos de enchente e medidas de prevenção em Ubá
1 de abril de 2026

Reunião na Câmara Municipal reúne autoridades, especialistas e moradores após evento registrado em fevereiro de 2026
A Câmara Municipal de Ubá realizou, na noite de terça-feira (31), uma audiência pública para discutir os impactos da enchente ocorrida em 24 de fevereiro de 2026 e debater medidas de prevenção. A iniciativa partiu do vereador José Roberto Reis Filgueiras e reuniu autoridades, técnicos, representantes de entidades e moradores atingidos.
Na abertura, o parlamentar destacou que as enchentes fazem parte da história do município e apontou a necessidade de planejamento e ações para reduzir riscos à população. O encontro teve como foco a apresentação de dados, análise de causas e propostas para enfrentamento do problema.
O coordenador da Defesa Civil, Anderson de Almeida Pereira, informou que o volume de chuva atingiu cerca de 174 milímetros em três horas. O índice provocou o transbordamento do Rio Ubá, com inundação que alcançou o pico em aproximadamente 50 minutos. Segundo os dados apresentados, mais de 1.188 famílias foram afetadas, atingindo cerca de 5.400 pessoas. O município registrou ainda dezenas de imóveis interditados e mais de mil vistorias realizadas.
O impacto econômico também foi abordado. O presidente da ACIUBÁ, Elias Ricardo Coelho, informou que cerca de 80% do comércio foi atingido. Os prejuízos foram estimados em aproximadamente R$ 650 milhões. Mais de 5 mil empregos sofreram impacto, e parte dos empresários enfrenta risco de encerrar atividades. A entidade atua na busca por crédito, criação de fundos emergenciais e incentivo ao consumo local.
Durante a audiência, especialistas apontaram fatores estruturais relacionados às enchentes. O professor Caetano Marciano de Souza destacou o desequilíbrio entre a capacidade do rio e o volume de água em eventos extremos. O engenheiro Fausto Batista mencionou a necessidade de atualização dos dados utilizados em projetos de drenagem e defendeu a elaboração de um Plano Diretor de Drenagem. Já o professor Julian Cardoso Eleutério relacionou o risco ao crescimento urbano e à ocupação do solo, indicando a necessidade de integração entre obras, sistemas de alerta e planejamento territorial.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Salomão Júnior Curi, apresentou ações em andamento, como limpeza urbana, obras emergenciais e projetos de reconstrução de pontes e revitalização da Beira-Rio. Ele afirmou que as medidas dependem de planejamento técnico e integração entre áreas.
Moradores também participaram do debate. O comerciante Rafael relatou prejuízos acumulados e citou impactos psicológicos causados pelas enchentes. João de Paula dos Santos cobrou intervenções estruturais e revisão de pontos considerados críticos, como a ponte no início do Calçadão. A moradora Nayara questionou a legislação urbana recente e apontou riscos relacionados à ocupação próxima a cursos d’água.
Ao final, o vereador José Roberto afirmou que a audiência serviu para reunir contribuições e reconhecer o problema. A Câmara Municipal informou que irá sistematizar as propostas apresentadas para orientar políticas públicas e investimentos voltados à redução de riscos.
Informações: ZM News