Viçosa fica de fora de anúncio de R$ 70 milhões para a saúde da região
6 de março de 2026

Enquanto nove municípios da Zona da Mata e do Vale do Rio Doce foram contemplados com recursos do Governo de Minas, Viçosa não apareceu na lista das cidades beneficiadas pelo pacote de R$ 70 milhões anunciado no último dia 2 de março. O evento ocorreu em Caratinga, com a presença do governador em exercício Mateus Simões, além de prefeitos e parlamentares da região.
Os investimentos anunciados incluem a construção de Unidades Básicas de Saúde (UBS), reformas hospitalares, implantação de CAPS, ampliação de blocos cirúrgicos e reforço na Atenção Primária. Municípios como Ponte Nova e Caratinga receberão mais de R$ 20 milhões cada. Já cidades como Raul Soares, Rio Casca e Bom Jesus do Galho também foram incluídas no pacote.
Viçosa, no entanto, ficou de fora, apesar de ter demandas consideradas estratégicas não apenas para o município, mas para toda a microrregião.
Entre as principais reivindicações está a construção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para Viçosa. Segundo a Prefeitura, diversas reuniões foram realizadas com a Secretaria de Estado de Saúde, nas quais houve reconhecimento da necessidade da obra para atender à população local e regional. Apesar disso, até o momento não houve retorno concreto quanto à liberação de recursos ou inclusão do projeto em programas estaduais.
Outro ponto sensível é a implantação do braço oncológico em Viçosa. O Hospital Nossa Senhora das Dores, em Ponte Nova (unidade credenciada para a realização do serviço oncológico na região) e o Hospital São João Batista, em Viçosa, firmaram um termo de colaboração para descentralizar parte dos atendimentos. A proposta é que pacientes da microrregião possam realizar consultas e tratamentos em Viçosa, mais perto de suas casas, reduzindo deslocamentos longos, custos e desgaste para as famílias.
Em 24 de julho de 2025, uma reunião tratou especificamente do tema, com a presença do prefeito Ângelo Chequer, do vice-prefeito Sérgio Lopes, do secretário municipal de Saúde, Marcos Vieira, e do reitor da Universidade Federal de Viçosa, Demetrius David Silva e dos Deputados Estaduais Roberto Andrade e Adriano Alvarenga. Apesar das promessas e do alinhamento institucional, o Estado ainda não garantiu os recursos necessários para que o projeto avance.
Viçosa também aguarda o credenciamento de leitos de CTI inaugurados em 26 de setembro de 2025 no Hospital São João Batista. A estrutura física está pronta, mas depende apenas da habilitação por parte do Estado para começar a atender oficialmente a população pelo SUS. Desde a inauguração, o processo segue pendente.
A exclusão de Viçosa do anúncio de R$ 70 milhões ocorre mesmo após uma série de reuniões institucionais envolvendo lideranças municipais e estaduais. A cidade é referência regional em saúde e educação, abriga universidade federal e atende pacientes de diversos municípios vizinhos. Enquanto isso, projetos considerados estratégicos continuam no papel, à espera de recursos e providências das autoridades estaduais.