Ul´timas

Notícias

Rádio

Montanhesa

Rádio

Q FM

TV

Montanhesa

Live Rádio

Q FM

Anuncie


Evento debate Passado — Memória e Legado da UFV

24 de março de 2026


{{brizy_dc_image_alt entityId=

Sob a perspectiva de que não se projeta o futuro sem que se conheça o passado, aconteceu, na sexta-feira (20), o primeiro dos eventos UFV em Três Tempos, tendo como tema Passado — Memória e Legado. Outros dois eventos como esse estão previstos até agosto com os objetivos de discutir o presente e o futuro da instituição que, este ano, completa 100 anos.

No Salão Nobre do campus Viçosa, o passado foi resumido em três painéis. No primeiro deles, o foco foi a criação dos campi Viçosa, Florestal e Rio Paranaíba. No segundo, quem puxou o fio da história foi o convênio da UFV com a universidade norte-americana de Purdue, considerado um marco determinante para a consolidação da pesquisa e da pós-graduação na instituição. No terceiro, o tema girou em torno das principais contribuições da UFV para a sociedade brasileira no ensino, pesquisa, extensão e inovação em seus 100 anos de atuação.

Antes, porém, de os convidados abordarem os assuntos dos painéis, houve a formação de uma mesa de abertura para a qual foram convidados o ex-reitor da UFV Evaldo Vilela; o reitor Demetrius David da Silva; o diretor do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCH), Odemir Vieira, e o professor do Departamento de Engenharia Agrícola Daniel Marçal, esses dois últimos coordenadores do evento, organizado pela Pró-reitoria de Pós-graduação.

Todos os integrantes da mesa destacaram a importância do evento, uma das atividades comemorativas do centenário da Universidade. Como lembrou o professor Odemir, não se consegue projetar o futuro se não se revisitar o passado, que ajuda a entender escolhas e práticas adotadas pela instituição. O professor Evaldo também ressaltou o significado de se refletir sobre o passado, especialmente para mostrar aos jovens tudo o que a UFV já fez e que tanto honra a história da instituição. No entanto, chamou a atenção para o fato de que o mundo mudou e que, por isso, as decisões do passado não servem mais. Em sua avaliação, as soluções para as grandes questões que se vive hoje, especialmente nas universidades públicas, não podem ser trazidas do passado.

Os desafios para as instituições públicas de ensino superior se avolumam, reconheceu o reitor Demetrius, para quem é necessário tornar a universidade cada vez mais atrativa para o estudante. E, neste sentido, relatou ações que vêm sendo realizadas e o compromisso da administração em manter a qualidade que acompanha a UFV. “O que acontece hoje é fruto de diversos outros que passaram pela gestão da Universidade”, lembrou o reitor. Segundo ele, “a instituição, que não tem passado, não tem presente e não terá futuro”. E afirmou: “a UFV tem história e temos a obrigação de passá-la para os jovens”. E foi isso que o primeiro painel do evento se propôs.

 

Fatores históricos que levaram à criação da UFV: campus Viçosa, Florestal e Rio Paranaíba

Mediado pelo técnico aposentado Gustavo Sabioni (à dir. na foto) ­­- destacado por ser um grande conhecedor da história da Universidade, onde ainda atua como voluntário -, o primeiro painel da manhã foi intitulado Fatores históricos que levaram a criação da UFV: campus Viçosa, Florestal e Rio Paranaíba

Sobre o campus Viçosa, a gênese da história da instituição, falou o diretor do CCH, Odemir Vieira (à esq. na foto). Em sua apresentação, contou que o passado da UFV tem particularidades em relação a todas as outras universidades do país, a começar pelo seu modelo contra-hegemônico, baseado no Land Grant Colleges, que não dissocia o ensino da pesquisa e da extensão.

Ao relacionar o contexto do país e do mundo a marcos históricos da Universidade, ele destacou aspectos estruturais do campus Viçosa, ações e personagens que, direta ou indiretamente, tiveram importância na criação e consolidação da UFV, que começou como Escola Superior de Agricultura e Veterinária (Esav). Dentre estes personagens, trouxe detalhes, claro, do idealizador da Esav, o ex-presidente da República Arthur da Silva Bernardes, do seu organizador e primeiro diretor Peter Henry Rolfs, e do seu consolidador João Carlos Bello Lisbôa. “Tudo o que se tem no campus Viçosa está atrelado a um momento histórico”, ressaltou Odemir.

A responsável por apresentar o campus Rio Paranaíba (CRP) foi Lara Luíza Silva Ferreira (foto). Ex-aluna de graduação e de pós-graduação da UFV-Rio Paranaíba, ela mostrou algumas coincidências entre a criação do campus Viçosa e o CRP, em 2006. Esse, segundo ela, é resultado da persistência de alguns sonhadores que “ousaram criar uma universidade em uma cidade de 12 mil habitantes” na região do Alto Paranaíba. Vinte anos depois de o sonho ter virado realidade, o campus conta atualmente com 12 cursos de graduação e três de pós-graduação, e começa, agora, uma nova etapa de sua história com a autorização pelo Ministério da Educação da criação do curso de Medicina, com previsão de primeira seleção de alunos ainda em 2026.

O encerramento do painel se deu com o diretor-geral do campus Florestal (CAF), Antônio Cezar Pereira Calil (foto). Em seu sexto mandato como gestor, ele conhece bem a história do espaço onde atua, criado em 1939, como “escola para capataz”, ainda sem vínculos com a Esav. Os laços com a Universidade Federal de Viçosa começaram a acontecer, de acordo com ele, em 1955, quando a instituição ainda era Universidade Rural do Estado de Minas Gerais (Uremg), e se fortaleceram em 2006, ano em que foi criado o campus Florestal, com o oferecimento de cursos superiores. Até então, somente funcionava no local a Central de Ensino e Desenvolvimento Agrário de Florestal (Cedaf), uma unidade da UFV de ensino técnico. Com a experiência de quem vive a realidade da instituição há décadas, questionou: “O que mais podemos fazer pela UFV?”. Baseado no “passado brilhante” da Universidade, recomendou à comunidade “muito cuidado” com os próximos 100 anos.

 

O convênio UFV – Purdue: marco determinante na consolidação da pesquisa e da pós-graduação

O segundo painel tratou da relação entre a UFV e a Universidade de Purdue, localizada nos Estados Unidos. Os convidados, que falaram sobre o convênio estabelecido pelas instituições na década de 1950, que foi fundamental para a consolidação da pesquisa e da pós-graduação na UFV, foram os professores Tetuo Hara — professor aposentado do Departamento de Engenharia Agrícola e Ambiental, fundador e ex-diretor-geral do Núcleo Centreinar e presidente da Associação dos Ex-alunos da UFV — e Gerald Shively — professor da área de Economia Agrícola e diretor do Escritório de Programas Internacionais e Agricultura da Universidade de Purdue.

Para destacar o comprometimento dos envolvidos com o convênio, Tetuo (foto ao lado) contou que mais de 90 integrantes da Universidade de Purdue passaram pela UFV em uma época em que os estilos de vida eram muito diferentes entre os países. A cidade de Viçosa, de acordo com ele, tinha aproximadamente 20 mil habitantes e os serviços de fornecimento de energia elétrica e de telefonia, por exemplo, eram precários em relação aos que os estadunidenses encontravam em seu país. Esse comprometimento possibilitou intercâmbios de professores e pesquisadores e, entre outros feitos, a consolidação da pesquisa e da pós-graduação na UFV. Como exemplo, Tetuo citou o importante conjunto de pesquisas sobre plantio de soja no Cerrado: “quando estudei Agronomia, soja somente era possível abaixo do Trópico de Capricórnio, de São Paulo para baixo. Os professores Hertel e Sediyama provaram que era possível, e foi a maior revolução agrícola do Brasil. Graças a eles, somos excelência em agricultura no Brasil e no mundo”.

Gerald Shively (foto ao lado), que esteve no campus Viçosa pela primeira vez, compartilhou que, quando ingressou como professor na instituição estadunidense há 30 anos, “quase imediatamente” teve conhecimento sobre a UFV, sobre a história e o legado do convênio. “Poderia dizer que é quase como uma mitologia ou uma lenda que existe em Purdue; quando as pessoas falam sobre Viçosa, é com uma certa reverência, por algo que sabem que é maravilhoso, mesmo que não tenham vivenciado diretamente”, ressaltou.

A Universidade de Purdue, segundo Gerald, pretendia fomentar na UFV uma filosofia com foco na pesquisa e na extensão rural — realizar pesquisas para solucionar questões práticas e levar essas soluções para as pessoas no campo. “Ao longo de um período de pouco mais de 20 anos, de 1951 a 1973, aproximadamente US$ 8 milhões foram investidos em Viçosa; se convertermos esse valor para os padrões atuais, é o equivalente a um projeto de US$ 64 milhões”, Gerald contextualizou. O convênio gerou formações em níveis de graduação, mestrado e doutorado, sendo alguns desses diplomas os primeiros concedidos no Brasil. “Diversos avanços da pesquisa aconteceram nesse período; o número médio de publicações por ano dobrou entre 1961 e 1970”, disse.

O impacto foi grande tanto para a UFV quanto para a Universidade de Purdue, como Gerald salientou: “o trabalho que realizamos em Viçosa foi a primeira atividade internacional conduzida por Purdue; e, de certa forma, definiu o tom para o que viria a seguir: nos deu um senso de potencial, nos deu um senso de responsabilidade e nos deu a confiança de que poderíamos, de fato, nos envolver nesse tipo de atividade”. Para o professor estadunidense, “não é exagero dizer que, se não fosse pelo projeto com Viçosa, a Faculdade de Agricultura de Purdue não seria o que é”.
 

As principais contribuições da UFV para a sociedade brasileira no ensino, pesquisa, extensão e inovação em 100 anos de atuação

No último painel, o professor Murilo Geraldo de Carvalho, reconhecido pela dedicação e boa didática no ensino de virologia por mais de 30 anos, contou sobre a influência da pós-graduação e das parcerias internacionais, como o convênio Purdue, para a qualidade do ensino na UFV. “É justificável considerar a diferença que a Universidade faz em seus alunos, não apenas pela formação que integra ensino, pesquisa e extensão, mas pelo empenho e dedicação que professores e estudantes têm durante a passagem por aqui”, disse o professor.

O ex-reitor Carlos Sedyama (foto acima) encerrou o evento, lembrando também a influência da Universidade de Purdue na construção do modelo filosófico da UFV. Destacou que, atualmente, ex-alunos estão em todas as instituições de ensino e pesquisa e nas grandes empresas do país. “Do café que tomamos, às fibras que fazem nossas roupas e carros, no cardápio que faz nossas refeições, podemos notar as contribuições dadas pela nossa Universidade ao país”.

Fonte: UFV