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Treinos mais curtos e eficientes podem transformar saúde de idosos e desempenho esportivo, apontam pesquisadores do DES

25 de março de 2026


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Há quem reclame que o que é recomendado como ideal para atividades físicas muda com o tempo. E é assim mesmo. Pesquisadores da medicina esportiva e da ciência do exercício estão continuamente investigando novas técnicas e avaliando resultados. A cada quatro ou cinco anos, instituições, como o American College of Sports Medicine (ACSM), revisam estudos e atualizam diretrizes para testes e prescrição de exercícios físicos, com base em evidências científicas atuais. 

Na atualização mais recente, o ACSM considerou dois estudos produzidos por pesquisadores do Departamento de Educação Física (DES) da UFV. Um deles mostra que poucas semanas de musculação já melhoram a funcionalidade em idosos. Já o outro demonstra que uma tecnologia desenvolvida para astronautas pode potencializar ganhos de força em atletas. Esses achados passam a integrar recomendações internacionais para profissionais da saúde.

As pesquisas, lideradas pelos professores Osvaldo Costa Moreira e Cláudia Patrocínio, analisaram evidências internacionais sobre diferentes protocolos de treinamento resistido, como a musculação, e seus efeitos no organismo. Ambos os trabalhos utilizaram revisão sistemática de bases científicas e meta-análise - técnica que combina estatisticamente os dados obtidos.

Os professores Cláudia e Osvaldo com idosas que participam do projeto Saúde e Vida

Resultados rápidos para a população idosa

Um dos estudos, publicado em 2019 na revista Bioscience Journal, focou na população idosa e trouxe uma mensagem animadora: não é necessário esperar meses ou anos para perceber os benefícios. Treinos simples, regulares e bem orientados podem gerar resultados significativos em pouco tempo, promovendo saúde, autonomia e qualidade de vida.

Segundo a professora Cláudia Patrocínio, já se sabia que o treinamento de força traz benefícios para idosos, mas havia incertezas quanto ao tempo mínimo necessário para alcançar melhorias relevantes. A análise mostrou que programas com duração de até 12 semanas já são capazes de aumentar significativamente a força muscular e a capacidade funcional — ou seja, a habilidade de realizar atividades cotidianas, como levantar-se de uma cadeira ou subir escadas. Por outro lado, mudanças mais visíveis na composição corporal, como o aumento de massa muscular, tendem a exigir períodos mais longos de prática.

A conclusão é especialmente relevante para incentivar a adesão de idosos à atividade física. “No caso da população idosa, os resultados reforçam a importância de iniciativas de envelhecimento ativo em políticas públicas. Programas de curta duração podem funcionar como porta de entrada para um estilo de vida mais saudável, com benefícios rápidos na autonomia e na prevenção de quedas”, afirmou a pesquisadora.

O laboratório HumanLab da UFV conta com um equipamento flywheel

Tecnologia espacial aplicada ao esporte

O segundo estudo, publicado em 2017 no Journal of Science and Medicine in Sport, investigou o treinamento com flywheel, também conhecido como volante inercial. A tecnologia, ainda pouco difundida, foi desenvolvida para preservar a massa muscular de astronautas em ambientes de microgravidade. Esse método intensifica a chamada fase excêntrica do movimento — quando o músculo se alonga sob tensão, como ao “descer” um peso. “Nosso objetivo foi entender, de forma abrangente, se essa ferramenta realmente entrega o que promete: adaptações musculares superiores às do treinamento convencional”, explicou o professor Osvaldo Moreira.

De acordo com o pesquisador, a meta-análise confirmou que o método pode gerar ganhos superiores em força, potência e hipertrofia quando comparado ao treino tradicional com pesos livres. Os resultados apontam o flywheel como uma ferramenta promissora tanto para reabilitação quanto para o alto rendimento esportivo. “O uso dessa tecnologia pode otimizar o treinamento de atletas, especialmente em modalidades que exigem potência muscular”, acrescentou.

Ainda segundo os autores, os dois estudos contribuem para aprimorar a prescrição de exercícios. O primeiro desloca o foco da estética para a funcionalidade, destacando ganhos rápidos e relevantes para idosos. O segundo aprofunda a compreensão de como estímulos específicos — como a sobrecarga excêntrica — podem gerar adaptações superiores ao treinamento convencional.