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Ambulatório LGBTQIAPN+ de Viçosa é apresentado na Câmara e levanta debate sobre financiamento

12 de maio de 2026


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Serviço de saúde em funcionamento desde janeiro registra atendimentos e aponta desafios estruturais e orçamentários

A atuação do Ambulatório LGBTQIAPN+ de Viçosa foi apresentada durante reunião ordinária da Câmara Municipal realizada na segunda-feira, 11. A fisioterapeuta Calu Fajardo, integrante da equipe do serviço, participou da sessão a convite da vereadora Maria Prisca para expor dados, explicar o funcionamento e relatar desafios enfrentados desde o início das atividades, em janeiro de 2026.

Segundo Calu, o ambulatório foi criado após discussões no Comitê de Equidade da rede municipal de saúde e aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde. A iniciativa surgiu após o encerramento do ambulatório anteriormente mantido pela UFV, deixando a cidade sem atendimento especializado para a população LGBTQIAPN+.

O serviço funciona em modelo de porta aberta, sem necessidade de encaminhamento, às quartas-feiras, entre 18h e 22h, na Avenida Santa Rita. O atendimento inclui acolhimento, acompanhamento psicológico, orientação farmacêutica, consultas médicas e acompanhamento endocrinológico.

De acordo com os dados apresentados, o ambulatório completou 14 semanas de funcionamento com 54 pessoas cadastradas e mais de 120 atendimentos realizados. Entre os usuários, 35 estão em processo de hormonização e 16 recebem acompanhamento psicoterapêutico. A maior parte do público atendido é composta por pessoas trans e não binárias, além de mulheres lésbicas, homens gays e pessoas bissexuais.

Durante a apresentação, Calu apontou desafios como a demora na realização de exames laboratoriais, limitações na estrutura física, dificuldade de acesso ao atendimento noturno por moradores de áreas periféricas e a ausência de medicamentos hormonais no Sistema Único de Saúde.

Outro ponto abordado foi a continuidade do serviço. Atualmente, o ambulatório funciona com recursos da Política Estadual de Promoção da Equidade em Saúde, sem orçamento próprio permanente do município. A profissional defendeu a inclusão do serviço na previsão orçamentária municipal para garantir estabilidade.

Durante os questionamentos, o vereador Raphael Gustavo informou que pretende destinar parte de sua emenda impositiva do orçamento de 2027 para apoiar o ambulatório. A vereadora Jamille Gomes questionou sobre a capacitação de profissionais da rede municipal. Em resposta, Calu afirmou que o Comitê de Equidade realiza formações com equipes da atenção primária.

O vereador Professor Idelmino sugeriu a criação de mecanismos para levantamento de dados sobre a população LGBTQIAPN+ e destacou a necessidade de campanhas contra a auto-hormonização sem acompanhamento profissional. Ao final da reunião, vereadores defenderam a ampliação da divulgação do serviço.