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GOVERNO ZEMA ESTUDA ACABAR VOOS ENTRE VIÇOSA E BH

O governo de Minas deve colocar um ponto final no programa Voe Minas. Segundo uma fonte próxima do Executivo, a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), que é responsável pelo projeto, recebeu a orientação da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes) para que o Voe Minas seja encerrado. A empresa que opera os voos para 17 municípios mineiros contemplados pelo programa, a Two Flex, disse que não iria comentar o assunto, mas informou que o contrato com o governo mineiro termina em junho.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Codemge não confirmou nem negou a informação. Segundo o comunicado, “a nova administração está avaliando todos os projetos já em andamento, visando a melhorias e ao adequado atendimento ao povo mineiro”.

O possível fim do programa não agrada ao prefeito de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, Dr. Armando (PT). “O fim do Voe Minas vai nos prejudicar, ele nos ajuda muito. Vamos perder muito para o comércio da região”, disse. Ele contou que o programa impulsiona o desenvolvimento econômico não só de Araçuaí, mas também das cidades vizinhas. “De Araçuaí para Belo Horizonte são 12 horas de viagem, e de avião é pouco mais de uma hora. Assim, os empresários têm mais agilidade para vir aqui e fazer investimentos e negócios”, disse.

O prefeito ressaltou que muitas empresas que trabalham com granito e com lítio na região expandiram seus negócios em razão da agilidade que a viagem aérea proporciona.

Para o prefeito de Almenara, no Vale do Jequitinhonha, Ademir Gobira (PSD), a decisão de acabar com o programa é uma “tragédia”. “Eu ainda não vi esse novo governo apresentar algo que favoreça as cidades do interior e do Vale do Jequitinhonha”, disse.

Gobira destacou que Almenara está a 750 km da capital e declarou que a política do governo Zema deveria ser inclusiva. “Nós temos muita dificuldade de transporte. Eu, como prefeito, sinto uma profunda tristeza com essa notícia. Até hoje eu não escutei nada que o governo vai fazer pelo Vale, só escuto que vai acabar com o que já funciona”, lamentou.

O prefeito também lembrou que, hoje, a cidade conta com serviços que, antes dos voos, não eram disponibilizados para a população. “Temos juiz do Trabalho, profissionais do Serviço Social do Comércio (Sesc) e a facilidade de transportar pessoas doentes”, contou.

A contratação da empresa de táxi-aéreo foi feita por meio de licitação em 2016 e tem valor anual de aproximadamente R$ 21 milhões. Para cobrir esse montante, o governo de Minas comercializa as passagens por valores que variam de R$ 120 a R$ 820, considerando a distância percorrida. Segundo o contrato, a rescisão do acordo pode ser feita quando a Codemge quiser, mediante aviso prévio de 30 dias.

Novo Destino

Apesar da possibilidade de acabar com o programa, no mês passado, o Voe Minas lançou um novo trecho, conectando Uberlândia, no Triângulo Mineiro, aos municípios de Araxá, também no Triângulo, Patos de Minas e Patrocínio, ambos no Alto Paranaíba. Os voos começaram a operar no último dia 11. Segundo o Executivo, a implantação dos novos destinos foi motivada pela conectividade existente entre o aeroporto de Uberlândia e a cidade de São Paulo, que já vinha sendo trabalhada por companhias aéreas comerciais.

O projeto, lançado em 2016, visa fomentar os negócios locais, desenvolver o turismo, integrar as diversas regiões do Estado e facilitar o deslocamento das pessoas entre o interior e a capital, Belo Horizonte, permitindo que tenham acesso rápido a eventos e serviços disponíveis.

Questionada, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes) não se manifestou sobre a orientação supostamente dada à Codemge.

Usuários

A possibilidade do fim do programa Voe Minas deixou os usuários preocupados. Segundo eles, no aeroporto da Pampulha, funcionários da companhia que opera as viagens afirmam que em breve o serviço não será mais prestado. O empresário Roberto Pereira utiliza os voos desde o início do programa. Ele possui lojas na capital, em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, e em outras cidades do Vale do Jequitinhonha. Pereira contou que, depois do Voe Minas, conseguiu fazer mais negócios na região, uma vez que consegue ir para Teófilo Otoni e voltar para Belo Horizonte no mesmo dia.

“Acho que o governo tem que ter um olhar para quem está voando para o interior do Estado. Hoje nós usamos muito esse projeto e conseguimos fazer mais negócios, conectar mais cidades. Agora, o governo quer acabar, passar uma foice em tudo sem gerenciar. É o que nós observamos na ponta”, disse.

Desenvolvimento

O empresário e diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Teófilo Otoni, Alexandre Mattar, disse que o fim do programa vai prejudicar o desenvolvimento de toda a região. Segundo ele, que administra uma rede de farmácias com cem lojas na região, caso os voos sejam encerrados, muitas pessoas vão acabar perdendo o emprego. “Atualmente, recebemos os fornecedores aqui no nosso escritório. Caso não tenha mais voos, teremos que mudar para Belo Horizonte, deixando cerca de 150 pessoas desempregadas”, contou.

Mattar também lembrou que a cidade tem cinco faculdades e que muitos professores são de Belo Horizonte e precisam do transporte aéreo. “Sem esses voos, creio que a manutenção desses profissionais será dificultada”, disse.

Fonte: O tempo.

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