terça-feira, 9 de junho de 2026
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JUSTIÇA ELEITORAL CASSA MANDATO DO PREFEITO DE VIÇOSA, MAS ELE PODE RECORRER NO EXERCÍCIO DO CARGO

JUSTIÇA ELEITORAL CASSA MANDATO DO PREFEITO DE VIÇOSA, MAS ELE PODE RECORRER NO EXERCÍCIO DO CARGO
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A Justiça Eleitoral de Viçosa cassou, no início da noite desta segunda-feira (09), o mandato do prefeito de Viçosa Ângelo Chequer (PSDB) e do seu vice Arnaldo Andrade (PSB). Os dois são acusados pelo crime de abuso de poder político-econômico durante as eleições municipais de 2016. Na decisão, a juíza eleitoral Rosângela Fátima de Freitas determinou a inelegibilidade de Ângelo Chequer pelos próximos oito anos e realização de novas eleições para o executivo municipal.

Na decisão, a juíza alega que os réus se utilizaram da inauguração de obras públicas inacabadas durante o período de campanha eleitoral em 2016 para “criar um terreno fértil para a reeleição do representado Ângelo Chequer.”.

A primeira obra citada no processo é a reforma e a inauguração do “Centro Administrativo Antônio Chequer”, que leva o nome do seu pai, que foi “oportunamente inaugurado no Colégio Viçosa para que se criasse uma conexão emocional com a população, uma vez que o edifício pode ser considerado um patrimônio histórico e cultural da cidade.”.

Em julho deste ano, o prefeito de Viçosa apresentou sua defesa a Justiça Eleitoral e rebateu a denúncia do Ministério Público Eleitoral, que acusou que o atual gestor municipal inaugurou “o centro administrativo apenas com fins de se promover perante a população”. A defesa de Ângelo Chequer alegou que a homenagem a seu pai que foi prefeito de Viçosa foi uma forma de agradecê-lo pela sua administração exemplar, o que pode ser considerado até mesmo uma tradição brasileira. Sobre a acusação de inaugurar o local sem seu pleno funcionamento o prefeito alegou, que “não há problema em se inaugurar uma obra sem a operar de imediato”.

Outro fato alegado pelo acusação é a inauguração de duas unidades do programa do governo estadual “Farmácia de Minas”, serviço público que visa a assistência social. “Mesmo sem o imediato funcionamento e distribuição dos medicamentos, com o intuito de promoção pessoal do primeiro representado [Ângelo Chequer].”.

A defesa do atual prefeito alegou que o funcionamento das unidades não foi imediato após a inauguração devido ao atraso no repasse do mobiliário das unidades por parte do Governo do Estado de Minas Gerais. E a inauguração das unidades foi feita com o intuito de reforçar o cumprimento do envio do mobiliário por parte do governo estadual.

Outra acusação do Ministério Público Eleitoral são as cores dos táxis que operam em Viçosa. A decisão da justiça alega que “os táxis da cidade [Viçosa] possuem as mesmas cores do partido do primeiro representado [Ângelo Chequer, PSDB], fato que demonstra o abuso de poder político, uma vez que a licitação para delegação de permissões para a prestação do serviço ocorreu durante o mandato do atual prefeito.”

Foi alegado pela defesa de Ângelo Chequer, que “os táxis da cidade não carregam as cores da campanha, [adotada em 2016 pelo partido do acusado] e sim as do emblema do Município.”.

Outros atos acusatórios impetrados pelo Ministério Público Eleitoral contra Ângelo Chequer foram a criação do Decreto 4.808/2015 pelo acusado, o qual dispõe sobre a instituição da honraria “Medalha Tiradentes”, distribuída a cidadãos viçosenses de destaque na sociedade durante os eventos do projeto “Prefeitura Itinerante”. Alegando que tal nome faz referência a uma empresa do Prefeito e por consequência ao próprio.

O Ministério Público afirmou, ainda, que o vice prefeito Arnaldo Dias de Andrade se beneficiou diretamente dos abusos praticados durante a campanha eleitoral de 2016.

Já os réus Bruno Araújo Torres, Francisco Assis de S. Castro, Arlindo Antônio Carneiro, Juliana Ladeira, José Geraldo de Souza Castro e Luciano Piovesan Leme foram ouvidos em julho deste ano e apresentaram suas defesas tendo sido absolvidos pela Justiça Eleitoral por falta de provas.

Por fim, a Juíza Eleitoral Rosângela Fátima de Freitas determinou a nulidade dos 23.954 votos recebidos pela coligação composta por Ângelo Chequer (PSDB) e Arnaldo Andrade (PSB) durante as eleições municipais de 2016. Além disso, o prefeito Ângelo Chequer se torna inelegível para qualquer cargo pelos próximos oito anos. Já o vice Arnaldo Andrade teve apenas o seu mandato de vice-prefeito cassado, não sendo impendido de disputar cargo na esfera pública.

Tanto Ângelo Chequer quanto Arnaldo Andrade podem recorrer da decisão da Justiça Eleitoral de Viçosa e tem o direito de permanecerem no cargo durante todo o processo. Procurada por nossa reportagem, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Viçosa informou, que o prefeito municipal já está ciente da decisão da justiça e que irá se manifestar através de nota nesta terça-feira (10).