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CRIANÇA FERIDA POR LINHA CHILENA EM VISCONDE DO RIO BRANCO PRECISOU TER UMA PERNA AMPUTADA

Acidente ocorreu no último sábado (20) e ele precisou ter uma perna amputada. O menino está internado em um hospital em Ubá.

O menino Lorran dos Santos da Silva, de 11 anos, está em coma após ficar ferido por uma linha chilena em Visconde do Rio Branco e ter amputado a perna esquerda. A informação foi confirmada na manhã desta quinta-feira (25) pela família. Ele está internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Pediátrica no Hospital Santa Isabel, em Ubá.

O acidente ocorreu no último sábado (20), na Praça Jorge Carone Filho, e nesta quinta a assessoria da Polícia Civil confirmou que foi aberto um inquérito para apurar o caso na Delegacia de Visconde do Rio Branco. O delegado responsável pela apuração é Aldrey Toledo Ribeiro.

Segundo a mãe do garoto, Jéssica Luana dos Santos, ele estava jogando bola na praça quando uma linha enrolou na perna dele e um carro passou, puxando e fazendo o menino cair e se ferir. A avó, Solange Maria dos Santos, disse que outra criança estava com o neto e ele soltava pipa.

No Boletim de Ocorrência (BO) da Polícia Militar (PM), testemunhas e o motorista do carro afirmaram que nem Lorran e nem outras crianças que estavam no local brincavam com pipas, cerol ou linha chilena.

‘Eu quero que Deus ajude ele a levantar’

Em entrevista ao MG1, Jéssica contou que o estado de saúde de Lorran é bastante grave, que está em coma e respira através de aparelhos.

“Ele tá com a cabeça inchada, ainda não responde. Ele não tá respirando sozinho, só com a máquina. Eu quero de Deus ajude ele a levantar, devolva a saúde do meu filho, que tá muito difícil sem ele”, desabafou a mãe.

A avó, Solange Maria dos Santos, falou à reportagem que ele já chegou em estado grave ao hospital.

“Ele foi direto para o hospital, desacordado, o coraçãozinho dele chegou até a parar, todos os médicos do hospital lá tentaram reanimar ele. No começo, quando eu recebi a notícia, eu pensei que não era grave o corte não, mas quando vi a situação, o mundo da gente acaba né?”

Solange conta que Lorran é um menino alegre e que, ao contrário do registrado no BO pela Polícia Militar, o motorista não prestou socorro imediato.

“O carro passou, já agarrou (a linha chilena) no pé dele e foi direto na perninha. Ele deve ter caído, bateu a cabeça como o médico falou. Se tivessem socorrido ele, na hora que caiu… O problema dele é grave, mas não tanto quanto está sendo agora. Demorou uns três minutos para socorrer, ele perdeu muito sangue”, completou.

Investigação

A Polícia Civil afirmou que foi instaurado inquérito na Delegacia de Visconde do Rio Branco para apurar o crime de lesão corporal grave.

De acordo com o delegado Aldrey Toledo Ribeiro, autoridade policial responsável pelo procedimento, uma equipe da Polícia Civil foi enviada ao hospital nesta quinta-feira para realizar a tentativa de entrevista do garoto.

A Polícia informou também que durante as investigações, outras oitivas serão realizadas para apurar as circunstâncias dos fatos e que seguem as diligências.

A investigação deve determinar qual das versões é verídica: a da avó ou a registrada pela PM. Os policiais compareceram ao Hospital São João Batista, em Visconde do Rio Branco, para onde Lorran foi levado inicialmente.

O motorista do carro, de 39 anos, afirmou aos policiais que transitava pelo bairro em baixa velocidade e viu crianças brincando na avenida, diminuiu a velocidade e passou por elas.

Em determinado momento, o homem ouviu gritos e olhou pelo retrovisor, quando viu Lorran caído ao solo. Ele garantiu ter pegado a criança, percebido o ferimento na perna e o levado para o hospital.

De acordo com o capitão Rodrigo da Silva Paro, comandante da 111º Companhia de PM, a confirmação do ferimento por linha chilena foi feita no hospital, quando os médicos encontraram resquícios do material na ferida.

Entenda os riscos da linha chilena

O capitão Rodrigo da Silva Paro explicou que a linha chilena é quatro vezes mais forte que o cerol e, portanto, muito mais perigosa.

“O cerol é uma mistura caseira, pó de vidro ou pó de ferro e cola, e a pessoa passa na linha. Já a linha chilena é pó de quartzo com óxido de alumínio. Se algum dos agentes, policiais militares, bombeiros, fiscais da prefeitura e guardas municipais encontrarem alguém com esse material, a pessoa é abordada e o material destruído”, destacou.

Ele esclareceu ainda que, após o registro da ocorrência, o documento é encaminhado para a Secretaria de Estado da Fazenda e a pessoa é multada. A multa pode variar entre grave e gravíssima, dependendo do local e da quantidade encontrada.

Caso a pessoa seja ferida por cerol ou linha chilena, a orientação da PM é que a região que foi cortada seja ser comprimida imediatamente e a vítima encaminhada com urgência para atendimento médico.

“Se o corte for nos braços e nas pernas, deve-se realizar um torniquete e imediatamente levar a pessoa para o hospital”, esclarece o militar.

Crime

A Polícia Militar lembra que soltar pipa com uso de cerol ou linha chilena é crime segundo a Lei Estadual 14.349, de 2002, com detenção e condução do autor à Delegacia de Polícia Civil, além de multa que varia de R$ 100 a R$ 1.500.

Quem for flagrado realizando este tipo de ação pode ser denunciado pelos telefones 190, da PM e 181, do Disque Denúncia Unificado (DDU).

Vender ou expor à venda o cerol, linha chilena e semelhantes é crime previsto na Lei Federal 8.137 de 1990. A pena é detenção de dois a cinco anos ou multa.

A PM orienta ainda que nestas épocas de férias escolares, as crianças e adolescentes jamais soltem pipas com cerol ou linha chilena.

Fonte: G1.

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