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Pesquisadores da UFV desvendam mecanismo inédito de resistência cruzada entre vírus e bactérias em plantas

Um mecanismo inédito de resistência cruzada entre vírus e bactérias em plantas foi desvendado por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em parceria com outras instituições estrangeiras. Em trabalho publicado este mês na revista Nature Communications, foi descrita uma estratégia de defesa antiviral ativada pela imunidade antibacteriana, algo antes desconhecido no meio científico. A descoberta tem potencial para gerar soluções de combate a doenças causadas por agentes patogênicos causadores de prejuízos milionários na agricultura.

O estudo também abre possibilidades de investigação de como esse processo ocorre no organismo de animais – inclusive em seres humanos. “Há semelhanças entre os nossos sistemas de defesa e os das plantas, o que permite vislumbrar, futuramente, desdobramentos que venham a ser utilizados em prol de nossa saúde”, explica a professora Elizabeth Pacheco Batista Fontes, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular (DBB) da UFV, que lidera a equipe responsável pela pesquisa. Bem antes disso, observa a pesquisadora, a novidade poderá fundamentar o desenvolvimento de terapias preventivas contra o bergomovírus, que impacta severamente culturas como a do tomate, do algodão e do feijão.

Grosso modo, “resistência cruzada” significa obter imunidade a doenças provenientes de um agente patogênico diferente daquele ao qual se foi exposto. Quando um germe invade um organismo, este responde por meio de receptores que reconhecem o invasor e a ele se ajustam para combatê-lo – mas somente a ele, até onde se sabia. No estudo em questão, os pesquisadores demonstraram que a infecção de plantas não hospedeiras – isto é, sem uma determinada contaminação – com bactérias leva ao acionamento de um mecanismo molecular protagonizado por um receptor conhecido como NIK1 (sigla para NSP-Interacting kinase 1). A presença dessa proteína, que já havia sido descrita em artigo publicado na revista Nature em 2015 pelo mesmo grupo de estudiosos, tem como “efeito colateral” o comprometimento da atuação do bergomovirus, que perde a eficiência ao tentar invadir o hospedeiro.

O trabalho tem como primeiro autor Marco Aurélio Ferreira, estudante de doutorado do programa de Pós-graduação em Bioquímica Aplicada da UFV, que divide a primeira autoria com o professor Bo Li, da Huazhong Agricultural University, na China. A pesquisa foi financiada pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Interações Planta-Praga, coordenado pela professora Elizabeth P B Fontes, sendo o resultado de parcerias individuais entre ela, o Laboratório de Biologia Molecular de Plantas/ Bioagro, o professor Bo Li, Huazhong Agricultural University, China, e os professores Ping He e Libo Shan, da Texas A&M University, dos Estados Unidos.

O artigo completo pode ser acessado clicando aqui.

Fonte: Portal UFV.

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