Por que fevereiro de 2020 teve chuvas acima da média em Minas Gerais?
3 de março de 2020

A ausência de variações de temperatura no Oceano Atlântico e o aquecimento global explicam as fortes chuvas que atingiram Minas Gerais em fevereiro de 2020, segundo especialistas. Neste mês, Belo Horizonte apresentou índices de precipitações acima da média histórica. A capital teve a maior marca desde 2014.
Segundo o meteorologista Cesar Soares, o aumento de chuvas na região pode ser explicado pela falta de variações de temperatura no oceano – essas alterações teriam afastado as frentes frias que causam concentração de tempestades, explica ele.
"As frentes frias vêm, provocam as chuvas – porque o verão é uma estação naturalmente chuvosa –, e depois se afastam para o alto mar. Sem as variações de temperatura, elas ficaram mais paradas na costa do sudeste de maneira geral e provocaram chuva por um período maior", diz o meteorologista.
Para a cientista Márcia Zilli, que estuda o padrão de chuvas da região Sudeste com base em dados dos últimos 70 anos, o aquecimento global também é um dos fatores. O fenômeno, ao mesmo tempo em que diminui os períodos chuvosos, aumenta sua intensidade.
"Constatamos uma certa mudança no padrão. Não é tanto um aumento nas chuvas. Na verdade, é mais tempo sem chuva, mas com uma intensidade maior quando acontece", disse a pesquisadora em entrevista ao G1 no início de fevereiro.
Efeitos das chuvas
Em Minas Gerais, 196 cidades decretaram estado de emergência por causa das chuvas. Mais de 8 mil pessoas ficaram desabrigadas e 55 mortes foram provocadas pelas chuvas.
O governo federal liberou no sábado (29) verbas para 35 cidades mineiras afetadas pelas chuvas no estado. Outros 161 municípios que também decretaram situação de emergência seguem à espera do dinheiro.
A estação do Cercadinho, em Belo Horizonte, registrou seu maior valor acumulado para fevereiro desde que começou a funcionar, no final de 2013. Foram 407 mm, bem acima da média histórica da cidade, de 206,3 mm.
Fonte: G1.