terça-feira, 9 de junho de 2026
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“Falamos em algo que não se resolve em semanas, mas em alguns meses”, avalia pesquisador sobre coronavírus

“Falamos em algo que não se resolve em semanas, mas em alguns meses”, avalia pesquisador sobre coronavírus

Enquanto se é discutida a possibilidade de isolamento vertical como forma de minimizar os impactos do novo coronavírus (Sars-Cov2) na economia, modelos matemáticos estudam a evolução do vírus no Brasil e quando ocorrerá o pico da Covid-19.

De acordo com o professor do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Ricardo Takahashi, “há grande incerteza, mas o certo é que não falamos em algo que se resolve em duas semanas, mas de um horizonte de alguns meses”.

A explicação para tal afirmação está atribuída ao termo “achatar a curva”, que significa, em outras palavras, ter casos mais distribuídos para não provocar colapso no sistema de saúde.

“Um cenário melhor, em que a gente tenha condição de tratar todas as pessoas que ficarem doentes, implica num pico mais tardio”. Em breve projeção, o especialista estima aproximadamente mais três meses.

“O ministro da saúde (Luiz Henrique Mandetta) disse que num cenário bem-sucedido a gente teria o pico lá para julho. Há modelos que concordam e há uma variabilidade. Pode se estender até mais para frente”, explica.

Isolamento tem funcionado

O isolamento, da maneira na qual tem sido adotado em várias regiões do Brasil, inclusive em Minas, tem surtido efeito para retardar o pico de casos, na avaliação do professor. Segundo ele, caso nenhuma medida fosse tomada, ocorreria o pico ao longo de abril.

“Seria um pico muito grande. Haveria muitas pessoas infectadas ao mesmo tempo, muitas mortes”, ressalta.

O especialista ressalta que operar “dentro da normalidade equivale a não fazer nada” e que tal medida provocaria um aumento exponencial de infectados. “Significaria uma sobrecarga gigantesca do sistema de saúde”, destaca.

“Em outras palavras significa: muita gente vai adoecer, nós vamos ter a capacidade de tratar uma capacidade ínfima dos que ficarem doentes e os outros vão ser abandonados caso a gente opte por ir nesta direção”, completa.

Por Itatiaia