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Pesquisador da UFV acredita que a população de Viçosa esteja totalmente vacinada daqui 3 a 4 anos

Jornal de Viçosa entrevistou o professor e pesquisador Sérgio Oliveira de Paula, coordenador do projeto “Produção de quimeras vacinais contra o vírus SARS-CoV-2”. O projeto da UFV tem a intenção de desenvolver 3 tipos de vacinas, que sejam de baixo custo e que possam ser usadas por diferentes tipos de pacientes. Indagado em quanto tempo a vacina estará pronta para Viçosa, o pesquisador acredita que “a população de Viçosa esteja totalmente vacinada daqui 3 a 4 anos, no mínimo.” Para ele, mesmo com a vacina, a nossa rotina mudará muito ainda no cenário pós-pandemia.

Sérgio de Paula, coordenador do projeto da UFV que visa produzir uma vacina para a Covid-19, está esperançoso com a pesquisa. (Foto: Arquivo pessoal/ Sérgio de Paula)

Sérgio Oliveira de Paula possui graduação de Medicina Veterinária pela UFV e é mestre e doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Imunologia Básica e Aplicada – Bioagentes Patogênicos pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP. Atualmente, é professor da Universidade Federal de Viçosa e coordenador do Laboratório de Imunovirologia Molecular do Departamento de Biologia Geral/UFV.

Em contexto de pandemia de coronavírus, Sérgio e sua equipe desenvolveram o projeto intitulado “Produção de quimeras vacinais contra o vírus SARS-CoV-2”, que pretende atuar no desenvolvimento da vacina para a Covid-19.

Confira a entrevista abaixo:

Jornal de Viçosa: Em qual etapa da pesquisa a equipe se encontra?

Sérgio de Paula: Estamos na fase que nós chamamos de análise in silico, que são as análises computacionais, isto é, as pessoas do laboratório estão realizando um levantamento dos vírus que estão circulando no Brasil.

JV: Mas por que realizar esse levantamento?

SP: Precisamos saber como é esse vírus em nosso território. O vírus que aqui circula não é o mesmo que da Europa ou Ásia; por isso, a necessidade de realizar uma análise computacional. Supomos, por exemplo, ter 3 ou 4 sorotipos diferentes circulando no país, então iremos produzir a proteína desses sorotipos que irão compor a vacina. Iremos produzir a quimera da febre amarela com essas 3 ou 4 proteínas distintas dos vírus que estão circulando no Brasil.

JV: Por que há vírus diferentes?  

SP: Porque os vírus sofrem mutações. Biologicamente falando, temos a chamada seleção natural, pela qual o ambiente pressiona o vírus e a resposta dele é a mutação. Essa mutação ocorre no material genético dele, fazendo com que ocorra uma variabilidade genética, ou seja, vários outros tipos de vírus.

JV: Mas tomando como base a população de Viçosa, em quanto tempo nós teríamos uma população totalmente vacinada, para que o vírus seja erradicado na cidade?

SP: Mais ou menos uns 3 a 4 anos, no mínimo. Porque até produzir em larga escala e adequar as estruturas é algo demorado. No entanto, preferimos trabalhar em períodos de 3 em 3 meses para não causar abalo. Além disso, acredito que a economia volte dentro de 5 a 6 anos. A nossa vida mudou e irá mudar bastante depois dessa pandemia.

JV: Qual é o prazo que a equipe está trabalhando para a produção da vacina?

SR: O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) deu 24 meses, ou seja, 2 anos para desenvolver a vacina. É lógico que, se conseguirmos que tudo ocorra bem, em 1 ano, 9 ou 8 meses, por exemplo, será ótimo. Sabemos que precisamos obter a vacina contra a Covid-19 o mais rápido, porém, é preciso colocar ela em uso com segurança. Existem vários relatos na literatura com relação ao uso de vacinas, que muitas pessoas apressaram as coisas e quem era vacinado falecia até mais rápido do que quando infectado pelo vírus ou bactéria.

Esta matéria faz parte de um conjunto de outras que foram produzidas com base em entrevista coletiva com o Sérgio de Paula conduzida pelos repórteres do JV Alice Ruschel, Guilherme de Carvalho e Mateus Lima.

 

Fonte: Por Alice Ruschel, estudante de Jornalismo da UFV – Jornal de Viçosa.

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