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Tecnologia

Aplicativo permite contatos aleatórios e ‘fator surpresa’ agrada usuários na Zona da Mata

Em meio à pandemia, pessoas se interligam pelo mundo através de primeiro contato curto e sem imagem. Cofundador explica opção de essência antes da aparência.

A pandemia do novo coronavírus tornou o uso das redes sociais ainda mais indispensável para manter a sociabilização em meio ao isolamento social durante a quarentena.

Desta forma, aplicativos de relacionamento e outras redes que interligam pessoas têm sido muito utilizadas para diminuir a distância e colocá-las em contato, através de interesses em comum, como hobbies, visões de mundo e, principalmente, a aparência.

No entanto, uma empresa europeia resolveu inverter essa a lógica e priorizar a essência em relação à aparência. Criado em Kosovo, o Hello é um aplicativo que proporciona um contato inicial aleatório, sem imagens e por apenas dois minutos na versão gratuita.

Desta forma, é possível conversar com usuários de vários países do mundo, sem ter noção de como a pessoa é e dos interesses dela sobre qualquer assunto.

Esse “fator surpresa” e a impossibilidade de escolher com quem irá se relacionar têm agradado e chamado a atenção de usuários na Zona da Mata. E os motivos são os mais variados.

Ricardo Almeida se formou recentemente em Comunicação pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e ainda mora na cidade mineira, em uma república com amigos. Durante a pandemia, com bastante tempo livre, teve acesso à ferramenta.

Curioso pela diferença de característica do aplicativo em relação aos disponíveis no mercado, ele resolveu testá-lo. Mesmo gostando da possibilidade oferecida por outros aplicativos de poder escolher com quem vai conversar e ver a pessoa, Ricardo vê muitas vantagens na nova iniciativa

“Da mesma forma que é uma desvantagem, por não poder escolher o perfil da pessoa, tem o lado positivo. Você acaba descobrindo interesse em pessoas que talvez você não se interessaria. O principal mesmo é uma boa conversa, o aplicativo acaba suprindo essa necessidade”, destacou.

Quem também vive em Viçosa é Eduarda Rodrigues. No entanto, o interesse pelo aplicativo surgiu com a possibilidade de poder aprimorar línguas estrangeiras. Com a opção de poder selecionar países disponíveis na plataforma, Eduarda tem praticado inglês.

Cumprido o objetivo inicial, a profissional de economia afirma que a experiência tem sido empolgante, sobretudo por estar na contramão do que pensa a sociedade atual.

Eduarda Rodrigues aprovou a experiência  — Foto: Eduarda Rodrigues/Arquivo pessoal

Eduarda Rodrigues aprovou a experiência — Foto: Eduarda Rodrigues/Arquivo pessoal

“O que traz o diferencial é ser absolutamente aleatório. Você escolhe o país e alguém em algum lugar deste país vai te atender e conversar com você. É muito mais sobre conectar pessoas. Embora o aplicativo possa ser usado como ferramenta para relacionamentos, você tem um primeiro contato com alguém que você não sabe como é. É isso que deixa a coisa interessante. Você troca ideia sobre qualquer assunto, escuta o que a pessoa tem a dizer em uma chamada curtinha. Mas, dependendo, você fica com gostinho de ‘quero mais’ e passa a querer conversar com ela, saber mais sobre ela, independente de como a pessoa possa ser”, explicou.

“A gente está tão focado na coisa da aparência, das redes sociais, querendo mostrar a nossa melhor face, que com o aplicativo você faz o caminho contrário. Você se mostra enquanto pessoa para depois trocar telefone e poder ver quem a pessoa realmente é em termos de aparência”, completou.

Em Juiz de Fora, Amanda Antunes estava se sentindo isolada em razão da quarentena. Assim, começou a usar a ferramenta e se disse satisfeita com a possibilidade de conversar com as pessoas sobre vários assuntos, entre eles, a pandemia.

A confeiteira de 35 anos disse que aproveitou o fato de poder escolher cidades de regiões diferentes do país para conversar e saber como as pessoas, sobretudo as que estão na linha de frente no combate à Covid-19, estão lidando com a pandemia.

De acordo com ela, o que mais chama atenção na plataforma é a imprevisibilidade do que vai encontrar a cada chamada, sem necessariamente esperar algo concreto da outra pessoa.

“Esse fator de ser surpresa é que instiga a fazer mais ligações, porque você não sabe o que esperar do outro lado. Então é possível fazer essa troca com várias pessoas. Uma coisa é interessante também, porque é que com um fator de sorte é possível voltar a conversar com a pessoa que já conversamos antes”, contou.

CEO e cofundador da empresa, Arian Kastrati afirma que a ideia de criar a ferramenta surgiu através de uma conversa com um amigo e da necessidade do mercado ter a opção de um contato mais direto e instantâneo para conhecer novas pessoas; ele crê que o objetivo está sendo cumprido com sucesso.

“Todos os aplicativos no mercado estavam focados no sistema de correspondência e descarte até você corresponder, mas isso não é instantâneo o suficiente e funciona apenas com base em imagens. Pensamos em mudar o foco para a conversa e deixar as pessoas com base na qualidade da conversa decidirem se elas se deram bem”, declarou.

O momento também proporciona o crescimento da plataforma. Segundo dados fornecidos pela assessoria, a procura pelo aplicativo quadruplicou em meio à pandemia do novo coronavírus, quando a empresa passou a investir mais na expansão da divulgação.

Com mais de 500 mil downloads e taxa de retorno superior aos 75%, o aplicativo ganhou projeção no Brasil recentemente. Segundo Kastrati, o isolamento social durante a quarentena tem mostrado o quanto a sociedade moderna sente necessidade de se comunicar e interagir.

“Os resultados na pandemia nos mostraram que atingimos um “ponto nervoso” com nosso produto, ajudando as pessoas a se conectarem quando querem e precisam. Os dados também nos confirmam a necessidade fundamental das pessoas de conversar e interagir socialmente. Foi uma grande honra para nós que as pessoas usassem nosso aplicativo para conversar com novas pessoas, de modo a ajudá-las a não se sentissem isoladas ou sem poder de interagir com outras pessoas em tempos tão difíceis”, finalizou.

Fonte: G1.

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