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Alunos voltam às aulas na Epcar em Barbacena após surto de Covid-19

Justiça autorizou retorno das atividades presenciais. Em maio, escola da Força Aérea Brasileira teve 204 estudantes infectados. MPF tentou impedir o retorno dos alunos, mas pedido foi negado.

Os 507 alunos da Escola de Cadetes do Ar (Epcar) retornaram as atividades presenciais na instituição da Força Aérea Brasileira (FAB), em Barbacena, neste domingo (12) após um mês de férias escolares. O retorno dos estudantes foi autorizado pela Justiça, após o Ministério Público Federal (MPF) ajuizar uma ação contra a volta dos alunos, já que a instituição sofreu um surto de Covid-19.

A Escola Militar da FAB registrou um surto do novo coronavírus em maio, quando 204 estudantes foram infectados, o que corresponde a 40,2% dos internos da instituição. Na ocasião, todos os alunos foram testados e 90 deles cumpriram período de isolamento social dentro das instalações da Epcar.

A juíza da Vara Federal Cível e Criminal de São João del Rei, Ariane da Silva Ferreira, decidiu na última sexta-feira (10) autorizar o retorno das atividades da escola. Foi realizada uma audiência de conciliação entre representantes do MPF e da Epcar, mas não foi possível um acordo entre as partes. Diante disso, a juíza analisou e negou o pedido para impedir o retorno as atividades.

Na decisão de sexta-feira, Ariane da Silva Ferreira considerou que os protocolos de segurança apresentados pela Epcar são suficientes para o retorno das aulas presenciais.

O MPF informou que entrou com um recurso em regime de urgência no sábado no TRF1 da 1ª Região, mas no domingo o “desembargador plantonista negou o pedido de liminar para impedir a volta às aulas”.

Retorno

De acordo com a Epcar, o retorno dos estudantes foi dividido em três grupos: primeiro chegaram os alunos que não tiveram a doença e não apresentaram sintomas. Eles ainda vão passar por duas triagens para monitoramento.

O segundo grupo foi composto por estudantes que testaram positivo para Covid-19 e já cumpriram o isolamento social.

O terceiro grupo é dos alunos que apresentaram sintomas suspeitos e, por isso, irão cumprir 14 dias de isolamento domiciliar. Quando chegarem na instituição, eles irão passar por testes.

Alunos que não quiseram ser identificados relataram que acreditam que a escola possa sofrer com novos surtos da doença, principalmente pelo fato de que estudantes de todo o país voltarão a ter contato e ficarão juntos em alojamentos.

“Nós acompanhamos de perto e vimos como a escola não soube lidar com um número de infectados de uma só vez. Inclusive, tem relato de aluno que sofre os danos da doença até hoje, dois meses depois do surto”, afirmou um dos estudantes.

“Tendo em vista que virão alunos de todas as partes do país, se alguém tiver com o vírus acontecerá certamente um outro surto de Covid-19 na escola. E o mais revoltante de tudo isso é a juíza ter liberado o retorno dos alunos com a justificativa que são alunos diferenciados e estão em uma escola diferenciada. Porém esses alunos não deixam de ser pessoas normais e, como já foi visto, podem sofrer com esse vírus como qualquer um”, desabafou o outro aluno.

Entenda o caso

A Epcar é uma escola de ensino militar sediada em Barbacena, no Campo das Vertentes, que admite alunos de idade entre 14 e 18 anos por meio de concurso público. No local, estudantes de várias cidades de todo o Brasil vivem em regime de internato e, por isso, dormem em alojamentos e têm aulas em horário integral.

Em maio, um professor da instituição que teve a identidade preservada, revelou à TV Integração que “tinham mais de 60 dias que os quase 500 alunos da Epcar estavam na escola sem serem liberados em momento algum para casa”.

O profissional contou que no dia 19 de março as aulas foram suspensas, mas uma parte foi retomada no dia 6 de abril e o restante depois da Páscoa. “Essas aulas foram retomadas em grande parte de forma presencial, através de aulas lecionadas por professores militares”, informou.

Após esse fato e um pedido do Conselho Tutelar de Barbacena, o MPF abriu uma investigação sobre a conduta da Epcar. Pais de alunos denunciaram que o local estaria submetendo os estudante a risco de contágio pelo novo coronavírus.

O órgão também emitiu uma recomendação no dia 22 de maio para suspender imediatamente todas as aulas e demais atividades acadêmicas presenciais em até 72 horas.

Na época, a reportagem procurou a Epcar para saber sobre a denúncia. Em nota, a Força Aérea Brasileira (FAB) explicou que as atividades presenciais foram suspensas antes do prazo da recomendação vencer, mas não informou a data em que isso ocorreu.

No dia 26 de maio, 204 alunos da Epcar testaram positivo para o novo coronavírus. Na época, 114 já tinham se recuperado e foram para casa. Outros 90 cumpriram isolamento social dentro da instituição e começaram a ser liberados para casa no início de junho.

A Aeronáutica afirmou que nenhum aluno necessitou ser hospitalizado. Todos aqueles que testaram positivo foram direcionados ao isolamento social e receberam o tratamento preconizado pelas autoridades de saúde.

Por causa do surto de Covid-19 na escola militar, o número de casos da doença em Barbacena aumentou mais de seis vezes durante o período.

Fonte: G1.

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