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Hospital das Clínicas realiza transplante de fígado inédito em MG, doado por pai a filha de 1 ano

Valentina e Alexandre já estão em casa. Bebê teve diagnóstico de doença hepática genética que poderia causar implicações graves no órgão.

Já estão em casa pai e filha que protagonizaram um inédito transplante de fígado envolvendo criança em Minas Gerais. A cirurgia foi realizada com sucesso no Hospital das Clínicas, da UFMG, na pequena Valentina, de apenas 1 ano. O doador de parte do órgão foi o pai dela, Alexandre Pereira, de 39 anos.

“Qualquer pai faria o que eu fiz pela minha filha. Não tive medo algum. A minha preocupação era dar alguma coisa em meus exames e eu não poder doar. Graças a Deus, agora a família está reunida. Isso é uma vitória para a gente”, comemorou Alexandre.

O estado de saúde de Valentina, quando chegou ao hospital, era considerado grave. Valentina tem 1 ano, pesa 6 kg e teve diagnóstico de cirrose hepática por deficiência de alfa-1-antitripsina (AATD), uma doença genética que pode gerar implicações graves no fígado. Por isso, houve a necessidade de transplante. E a pequena ganhou uma nova chance de vida graças ao transplante hepático intervivos pediátrico, realizado pela primeira vez no Estado, segundo o Hospital das Clínicas.

Alexandre e a esposa têm outros três filhos. Ele ficou apenas cinco dias internado. Já Valentina ficou no hospital por dois meses. Recebeu alta na última sexta-feira (10). Está quietinha, só recebendo carinho.

“Faria a mesma coisa para qualquer um deles. Desde que entendi que sou pai eu esqueci de mim. A minha vida é para os meus filhos, a minha família e esposa. O bem-estar deles é que mais importa. A gente não pode sair muito com ela, por enquanto, só mesmo para os retornos médicos e exames de rotina”, contou o pai.

Pai e filha já estão em casa (na foto, aparecem no quarto do hospital) — Foto: Divulgação / Hospital das Clínicas

Pai e filha já estão em casa (na foto, aparecem no quarto do hospital) — Foto: Divulgação / Hospital das Clínicas

A cirurgia, chamada de transplante intervivos, durou cerca de oito horas. De acordo com informações passadas pelo Hospital das Clínicas, a pessoa doadora neste tipo de transplante de alta complexidade tem que ser saudável e, caso o tipo sanguíneo seja compatível com o do receptor, tem uma parte do fígado retirada, por meio de cirurgia – que é colocada no lugar do fígado da criança doente.

Para este tipo de transplante não é necessário aguardar em fila de espera pela doação do órgão.

O coordenador do Grupo de Transplante Hepático do Hospital das Clínicas, cirurgião Leandro Navarro Amado, explicou que transplante de fígado era o único tratamento possível no caso da pequena Valentina. E que a equipe médica tinha três possibilidades: encontrar um doador falecido do tamanho da bebê, reduzir o fígado de um doador adulto falecido e em boas condições clínicas ou realizar o transplante intervivos.

Com a pandemia, o número de doações de órgãos caiu muito e a Valentina não podia esperar. Diante deste cenário, o transplante intervivos seria o mais indicado, disse o médico.

Equipe médica do HC durante o transplante de parte do fígado do pai — Foto: Divulgação / Hospital das Clínicas

Equipe médica do HC durante o transplante de parte do fígado do pai — Foto: Divulgação / Hospital das Clínicas

O Hospital das Clínicas da UFMG também foi pioneiro em Minas Gerais no transplante hepático intervivos adulto, realizado pela primeira vez em 2003. Com o sucesso da cirurgia realizada na pequena Valentina, a instituição passa a ser referência do estado para este tipo de transplante também em crianças.

Fonte: G1.

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