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Saúde & Bem Estar

Maior preocupação do governo de MG agora é com risco de falta de anestésicos nesta fase da pandemia

Relatório do Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública aponta escassez de medicamentos em metade das macrorregiões de Minas.

Na semana em que havia previsão para Minas Gerais alcançar o ponto mais crítico da pandemia do coronavírus, a preocupação já não é mais quanto a um possível esgotamento de leitos de UTI, e sim, quanto à escassez de medicamentos anestésicos, necessários para manter pacientes entubados.

Um relatório do Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública do estado, publicado nesta quinta-feira (16), aponta que a falta de anestésicos na maioria das regiões mineiras pode até mesmo impedir novas internações. Das 14 macrorregiões de Minas, 7 não têm o estoque necessário para garantir os atendimentos.

Os medicamentos estão escassos nas seguintes macrorregiões:

  • Centro
  • Centro-sul
  • Jequitinhonha
  • Leste
  • Nordeste
  • Triângulo do Sul
  • Vale do Aço

Apenas as regionais Triângulo do Norte, e Sudeste têm a quantidade necessária desses anestésicos, segundo o relatório.

Nos últimos dias, o governo de Minas anunciou diversas ações para garantir que não faltem medicamentos. Como uma compra por meio da OPAS, Organização Pan-Americana da Saúde, e o remanejamento dos estoques entre unidades de saúde. A reportagem aguarda atualizações sobre o resultado obtido com essas medidas, já que a situação continua preocupante.

‘Desabastecimento é mundial’, diz secretário

Na entrevista coletiva desta sexta-feira (17), a reportagem questionou o secretário de estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, sobre o risco de falta de anestésicos e outros medicamentos em Minas Gerais. Ele disse que a situação está sendo controlada e é alvo de muita atenção, mas que o desabastecimento é mundial.

“Hoje temos um desabastecimento de medicamento mundial. Nossas indústrias no Brasil estão muito sobrecarregadas devido ao aumento de consumo. Todos os estados ampliaram consideravelmente o número de leitos”, afirmou o secretário.

O secretário também apontou que, durante o enfrentamento à Covid-19, o estado já teve que passar por vários “gargalos” na saúde pública, em momentos diferentes:

“No início, nós tínhamos uma diferença extrema na aquisição de respiradores, depois vislumbramos também uma dificuldade com exames e, finalmente, estamos chegando numa dificuldade de recursos humanos e também de medicamentos”, disse Amaral.

Ao contrário do que afirmou o governador Romeu Zema (Novo) em entrevista à imprensa na manhã desta sexta-feira, ao dizer que o estoque de sedativos não deve durar mais do que 15 dias, o secretário falou que não haverá desabastecimento neste momento porque a Fhemig tem um estoque “muito grande”. Ele confirmou, porém, que há risco de falta em alguns hospitais:

“À medida que nós ampliamos o número de leitos, começamos a ter aceleração no uso de medicamento e isso traz também uma dificuldade no sentido da gestão e da disponibilidade de medicamentos. Felizmente a Fhemig ainda tem um estoque grande. Mais do que 30 dias, não tem risco maior de desabastecimento neste momento, mas nos chama muita atenção a possibilidade de alguns casos pontuais, de alguns hospitais, terem dificuldade de abastecimento. Temos alguns hospitais que manifestaram uma redução dos seus estoques e isso está sendo monitorado diretamente pela Secretaria de Estado de Saúde.”

Amaral disse que o Ministério da Saúde prevê uma compra grande e que isso já está em processo “avançado”: “No prazo de 15 dias, é provável que já tenhamos, não todos, mas um volume importante de medicamentos chegando ao país e sendo distribuído para os estados.”

Medidas adotadas

A Secretaria de Estado de Saúde também comentou, por meio de nota, a situação dos medicamentos. Segundo a pasta, “apesar da dificuldade encontrada em algumas entregas pontuais, até o momento, não houve desabastecimento desses medicamentos” nas unidades estaduais.

“Já em relação às instituições prestadoras de serviços do SUS, como regra geral, cabe a essas instituições fazer aquisições de insumos para uso em suas unidades, por meio da remuneração aos serviços que são prestados. Apesar de não haver risco de desabastecimento nos hospitais da Rede Fhemig neste momento, a SES tem monitorado a situação de redução dos estoques relatada por alguns hospitais”, prossegue a secretaria.

A Saúde apontou duas medidas principais que foram tomadas para tentar evitar o desabastecimento de remédios: a orientação dada em março aos prestadores de serviço para que suspendessem as cirurgias eletivas com o objetivo de economizar medicamentos, insumos e equipamentos de proteção individual (EPIs) e o repasse de R$ 92 milhões para que as instituições aumentassem seus estoques.

Situação dos leitos

Conforme informado pelo governo do estado nos últimos dias, Minas não deve ter um pico de casos, mas, sim, um platô. Ou seja, o número de casos registrados diariamente não deve subir bruscamente. A quantidade de novas notificações deve se manter no padrão atual por um tempo, até que comece a cair. Isso deve ocorrer no fim de julho, conforme a previsão da Secretaria de Estado de Saúde. Na avaliação do governo mineiro, esse ritmo deve garantir que o sistema de saúde consiga suportar a demanda por internações.

Atualmente, apenas três regiões de Minas têm mais de 80% de ocupação nas UTIs. São as mesmas que ficaram mais pressionadas praticamente desde o início da pandemia: Vale do Aço, Triângulo Norte e região central, onde está Belo Horizonte. O Vale do Aço tem a maior taxa de ocupação: cerca de 84%.

Após uma série de ampliações na rede de saúde feita pelo governo de Minas e pelos municípios nos últimos meses, as UTIs nos hospitais têm aproximadamente 69% de ocupação hoje. No caso dos leitos de enfermaria, essa taxa de é 58%.

Na capital mineira, que concentra a maior parte da estrutura de saúde do estado, a taxa de ocupação de leitos de terapia intensiva é de 86%. Já nos leitos de enfermaria de BH, o índice é de 67%.

Diante desse quadro, o hospital de campanha criado pelo estado em Belo Horizonte continua sem atender pacientes. O espaço começou a funcionar nesta semana. Mas, segundo a Secretaria de Saúde, só será utilizado quando os hospitais convencionais não conseguirem absorver a demanda.

Fonte: G1.

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