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Saúde & Bem Estar

Falta de medicamentos para uso em UTI faz Hospital do Câncer de Muriaé suspender procedimentos cirúrgicos eletivos

Falta de medicamentos para uso em UTI faz Hospital do Câncer de Muriaé suspender procedimentos cirúrgicos eletivos

O Hospital do Câncer de Muriaé, mantido pela Fundação Cristiano Varella, suspendeu nesta sexta-feira (24) os procedimentos cirúrgicos eletivos que precisam de suporte de terapia intensiva e anestesia geral. A medida, inicialmente, será adotada até a próxima sexta-feira (31). As cirurgias de urgência e emergência e as que não precisam de anestesia geral e terapia intensiva estão mantidas. O motivo é a escassez de medicamentos utilizados em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e as altas taxas de ocupação de leitos exclusivos para pacientes oncológicos com Covid-19.

De acordo com a instituição, é a primeira vez que estes procedimentos são suspensos durante a pandemia da Covid-19.

A falta de sedativos, anestésicos e bloqueadores neuromusculares nos principais hospitais da Zona da Mata foi mostrada pelo G1 em junho. Desde então, um parecer do Centro de Operações de Emergência em Saúde (COES) orientou a suspensão de cirurgias eletivas não essenciais na rede pública e na rede privada.

Entretanto, não é fácil categorizar cirurgias para pacientes oncológicos como procedimentos eletivos, devido a complexidade e as particularidades do quadro de cada paciente. Para entender a situação, a reportagem conversou com o gerente administrativo do Hospital do Câncer, José Alexandre do Nascimento Alves. Veja abaixo.

Estoque para 50 dias foi consumido rapidamente

Até sexta-feira (24), a Prefeitura de Muriaé contabilizava 50 mortes pela Covid-19, 1.582 pacientes confirmados, sendo que 1.286 foram considerados recuperados da doenças.

Além do parecer do COES, a Prefeitura publicou em decreto em junho, que determinou que todos os hospitais e clínicas em funcionamento em Muriaé, incluindo a rede privada, suspendesse a realização de cirurgias eletivas, observadas as determinações dos Conselhos Federal e Regional de Medicina e do Ministério da Saúde, sob pena de cassação dos alvarás de funcionamento concedidos pelo Poder Público.

Segundo apurado pelo G1, o decreto ainda está em vigor. Entretanto, o gerente administrativo José Alexandre do Nascimento Alves explicou que no Hospital do Câncer é a primeira vez que ocorre a suspensão e que nos períodos anteriores, a instituição estava em processo de racionamento das cirurgias não urgentes, avaliando cada caso.

“No caso do procedimento oncológico, é difícil falar de procedimento eletivo. Fizemos um trabalho, desde o início da pandemia, de racionamento e de análise individual dos casos, pontuando os riscos e benefícios para cada paciente. No primeiro momento, o que fizemos era uma agenda em um ritmo menor e com análise dos critérios clínicos dos pacientes. Agora é uma situação mais específica, neste momento em função da escassez de insumos e do pico de consumo dos medicamentos, tivemos que adotar essa medida mais severa”, explicou Alexandre.

A classe de medicamentos que está em falta são os bloqueadores neuromusculares, que servem para interromper ou simular a transmissão de impulsos nervosos. Eles são utilizados em anestesia e proporcionam um relaxamento da musculatura esquelética. Além disso, estes medicamentos permitem a realização da intubação para facilitar a ventilação mecânica.

De acordo com o gerente, o Cisatracúrio é que está em falta, inclusive para compra. “Por causa do pico de consumo que tivemos na última semana, o estoque que seria suficiente para 50 dias, entrou em nível crítico em poucos dias”.

O aumento do consumo desses medicamentos está relacionado ao número crescente de pacientes de Covid-19 que a instituição atende. Porém, segundo orientação da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) para a macrorregião de Saúde Sudeste, o hospital atende apenas a pacientes oncológicos de Muriaé e região que estão com coronavírus. O público em geral, com suspeita ou confirmação da Covid-19, é direcionado para outros hospitais de referência.

Mesmo assim, o Hospital do Câncer, que recebe 90% de seus pacientes através do Sistema Único de Saúde (SUS), chegou a 100% de lotação dos leitos de UTI exclusivos para Covid-19 nesta semana. Por causa disso, a Fundação chegou a cogitar o direcionamento e transferência de casos suspeitos da doença para outros hospitais referências de atendimento geral de Muriaé ou das cidades de origem dos pacientes.

“Nós tivemos um dia da semana com 100% de ocupação, mas felizmente está diminuindo. O que nos preocupa é que não sabemos qual volume que pode vir de uma única vez”, explicou o gerente. Para tratamento do coronavírus nestes pacientes com câncer, uma ala com 12 leitos clínicos foi adaptada e cinco leitos de UTI.

Medidas adotadas

Segundo Alexandre, já foi realizado o contato com os fabricantes e fornecedores do Cisatracúrio e similares, e a previsão é que ocorra um abastecimento já na próxima semana.

A Fundação Cristiano Varella reforçou que segue as recomendações e normativas em vigor, emitidas por Ministério da Saúde, Anvisa, Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, Secretaria Municipal de Saúde de Muriaé e demais órgãos e entidades da área da Saúde.

A instituição também informou que enviou um ofício em junho relatado a situação da falta de medicamentos para o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A reportagem procurou o MPMG para saber quais providências foram tomadas e até a última atualização desta matéria, não obteve retorno.

O Hospital do Câncer de Muriaé ressaltou que realizou todos os esforços até agora para que não houvesse impacto nos procedimentos e atendimentos pela falta de insumos no mercado, de alguns medicamentos essenciais para grandes cirurgias.

Fonte: G1.

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