sexta-feira, 19 de junho de 2026
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Viçosa não retomará aulas presenciais até fim de dezembro

Viçosa não retomará aulas presenciais até fim de dezembro
Programa de Atividades Escolares Remotas (Paer) prevê início da entrega de kits lúdicos e roteiros pedagógicos até 15 de outubro

Em Viçosa, na Região Sudeste do estado, as aulas presenciais não vão retornar até o fim de dezembro. Os estudantes da rede municipal estão em casa, sem nenhuma atividade escolar, desde o início da pandemia. A partir de 15 de outubro, a Secretaria Municipal de Educação pretende iniciar a entrega do primeiro lote de materiais para trabalhos remotos, tanto para os alunos da educação infantil quanto para os do ensino fundamental. A iniciativa faz parte do Programa de Atividades Escolares Remotas (Paer).

Viçosa hoje está na onda verde do Programa Minas Consciente e poderia alinhar-se ao governo do estado e aderir ao retorno gradativo das as aulas presenciais, conforme protocolos sanitários específicos. Contudo, explica a secretária municipal de Educação, Ana Monteiro, foi aplicado um questionário junto às famílias cujos filhos estudam nas redes públicas e privada, em todos os anos da escolarização básica, e 70% dos pais são contrários à retomada.

“O resultado foi diferente em apenas algumas escolas da educação infantil. Para atendermos a todos, foi definido, na última reunião convocada pela prefeitura, a criação de uma comissão pela Secretaria Municipal de Educação, para avaliarmos esse caso e também criarmos o nosso protocolo de retorno, a partir de janeiro”, reforça Monteiro.

O secretário de Saúde, Marcus Schitini, informa que já estruturou um protocolo técnico e sanitário para uma possível retomada das aulas e ressalta que todas as escolas privadas que pretendam retornar com atividades presenciais vão precisar se adequar às normas e passar por vistoria da Vigilância Sanitária.

Para a rede municipal de Educação, Ana Monteiro julga ser mais apropriada a criação de normas locais para nortearem a volta dos estudantes aos bancos das escolas, “pois cada município tem seu contexto e cada rede, sua particularidade”. Em Viçosa, há 19 escolas municipais, 10 estaduais, 20 particulares e 10 de educação infantil.

Questionada se a rede municipal não teria demorado muito para disponibilizar materiais para os alunos estudarem em casa, haja vista não haver aulas on-line nem previsão de implementação desse tipo de metodologia, a secretária baseia sua resposta nas possiblidades que dispunha para desenvolver um programa que atendesse a todos os educandos, de forma democrática.

“A educação não pode ser exclusiva para determinado grupo. Temos um grande número de estudantes na zona rural e precisávamos da autorização do governo federal para usarmos o transporte escolar para entrega dos kits. Há também a questão da população flutuante na cidade e grande parte do quadro da pasta ser composta de estagiários que, com a pandemia, voltaram para suas casas. Outros servidores são do grupo de risco. Tivemos cautela para montarmos a equipe que iria desenvolver esses roteiros”, explica.

As crianças de quatro a cinco anos, alunos do primeiro e segundo períodos, vão receber embalagens lacradas contendo tintas, pincéis, massinha de modelar, um livro de literatura infantil e um brinquedo feito com material reciclável. No momento, a equipe de professoras do Paer finaliza, em casa, a construção desses jogos lúdicos. “Esse material segue com uma orientação de brincadeira e possibilidades”, acrescenta Monteiro.

Para os alunos de seis a nove anos, o PAER torna-se um roteiro de aprendizagem baseado no livro didático já recebido no início do ano, com explicações e exercícios sobre os conteúdos mais importantes, que não poderiam deixar de ser absorvidos. Para a área urbana, todo o material será disponibilizado em pontos de entrega, com hora marcada para retirada, de forma a não gerar aglomeração.

Na zona rural, será entregue nos pontos onde o transporte apanhava os alunos para levá-los às escolas, também com data e hora marcada. “Posteriormente, vamos receber os materiais para acompanhar o desenvolvimento dessas atividades e avaliarmos o que foi possível ser feito em casa”, adianta a secretária.

Fonte: Estado de Minas.