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Promotor de Justiça de Viçosa comenta decisão de não adesão da Onda Roxa na cidade

Segundo ele, é necessário preservar o comércio, mas isso não pode custar vidas.

O promotor de Justiça de Viçosa Luís Cláudio Magalhães concedeu entrevista, nesta terça-feira, ao Jornal da Montanhesa e criticou a não adesão da ‘Onda Roxa’ do Minas Consciente na cidade. De acordo com ele, nenhum país do mundo conseguiu resultados efetivos sem fazer lockdown por algum tempo.

Além disso, ele ressaltou que a cidade não tem leitos de UTI disponíveis no Hospital São Sebastião como explicação da crítica. Ele disse também que é necessário preservar os empregos e comércios. Mas, por mais que ele entenda as dificuldades passadas, isso não pode custar as vidas das pessoas.

No entanto, ele disse entender a decisão do prefeito da cidade, mas pontuou que hoje, o COES não é composto por uma equipe técnica.

“A composição do COES hoje, não é técnica. Não é como a anterior, formada com pessoas meio. Tem pouquíssimas pessoas lá que são realmente técnicas e sabem interpretar os números que nós temos a disposição.”, afirmou o promotor.

Ainda criticando a situação, Luís Cláudio afirmou, com todo respeito, que se uma pessoa precisar de leitos, ela não irá a uma papelaria ou qualquer loja da cidade. A

“Se chegar uma pessoa hoje, em Viçosa, e ela agravar seu estado num espaço de 24h ou 48h, se não tiver um leito próximo, ela terá que ir para uma outra referência. Se isso demorar muito, ela pode vir a falecer. Mas, parece que isso não incomoda muita gente.”, completou Luís Cláudio.

“É melhor isso do que nada”, disse o promotor sobre o novo decreto

Mesmo criticando a decisão tomada pela Prefeitura em relação ao novo decreto, o promotor afirmou que “é melhor isso do que nada”, e que se não for para adotar a medida necessária, que seja adotada alguma medida para tentar melhorar os números da cidade.

Ele ainda disse que é necessário entender o contexto em que estamos, e criticou as cidades da região. Segundo ele, é muito estranho que em Ponte Nova haja 100% de ocupação de leitos de UTI e todos os municípios da região tenham baixado o lockdown.

“Até 48h atrás estávamos discutindo a Onda Roxa. Entendo a decisão (do prefeito de Viçosa), é difícil estar ali e ter que decidir isso, vai acabar desapontando alguém. Mas você está na função para fazer isso, então tem que estar preparado para tomar decisões duras.”, disse o promotor.

Luís Cláudio Magalhães ainda relembrou que até setembro do ano passado a cidade tinha apenas dois óbitos por conta da Covid-19 e que, segundo ele, isso só aconteceu por conta das medidas restritivas tomadas até aquele momento. Mas, depois da reabertura da cidade, eleição, fim de ano e outras situações, o município já contabiliza 30 mortes.

“Fica claro que a transmissão aumentou e muitas pessoas vieram a falecer por conta disso. […] Quero saber quem vai se responsabilizar por alguém que chegar precisando de leitos no UTI e não ter para onde ir. E se vier a falecer, como ficamos?”, questionou Magalhães.

Ainda segundo ele, a Casa do Empresário “insiste em dizer que não há provas de que as atividades que eles desempenham prejudicam a situação da saúde. Mas está claro, cientificamente, que não é a atividade em si. O problema é que é necessário diminuir a circulação de pessoas na rua.”

Novos leitos de UTI e fiscalização na cidade

O promotor ainda pontuou sobre a situação dos sete novos leitos de UTI que serão adicionados ao Hospital São Sebastião, o que garantiria ao município um suporte de atendimento melhor. No entanto, segundo ele, isso está sendo falado como se fosse acontecer de hoje para amanhã, e não é assim que funciona.

“Tem que ser credenciado, tem que ser objeto de análise do Estado e da Superintendência, tem que passar pela regulamentação. Então não é de uma hora para outra.”, afirmou.

Em relação a fiscalização das novas normas na cidade, de acordo com ele, o município precisa fiscalizar suas medidas de forma dura, eficiente e permanentemente. Isso porque, caso o contrário, passará uma ideia de que são “normas para inglês ver“.

No entanto, ele admitiu que a capacidade do município em fiscalizar é muito pequena. Várias medidas estão sendo adotadas e para fiscalizar todas elas, é necessário mais recursos humanos e muito empenho.

Por fim, ele pontuou em relação a reduzir horários de funcionamento de supermercados e outro setores, dizendo ter sido sempre a favor da implantação do rodízio de CPF e não da redução de horário. Para ele, é mais fácil impor o CPF e deixar a atividade se desenvolver por um horário maior, para, portanto, dissipar o fluxo de pessoas.

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