quinta-feira, 25 de junho de 2026
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Cientistas revelam detalhes inédito de novo vírus em circulação no Brasil

Cientistas revelam detalhes inédito de novo vírus em circulação no Brasil
Foto: CNPEM/MCTI

Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), elucidaram, pela primeira vez na América Latina, uma estrutura viral completa. O trabalho que revela detalhes inéditos do vírus mayaro, causador de uma doença com sintomas semelhantes ao da chikungunya e que circula no Brasil, foi publicado na última segunda-feira (24) em um periódico científico internacional.

Com as informações obtidas, os cientistas esperam desenvolver novos métodos de diagnóstico, medicamentos e imunizantes.

O trabalho desenvolvido desde 2017 por uma equipe multidisciplinar com 20 pesquisadores e colaboradores revelou detalhes da estrutura molecular do vírus com uma resolução aproximadamente 100 mil vezes menor que a espessura de um fio de cabelo.

“Neste trabalho descrevemos a partícula infecciosa do vírus Mayaro, incluindo todas as proteínas que o compõem. Foram usadas técnicas que permitiram observar detalhes da biologia do vírus que não tinham sido descritos em outros trabalhos, e que representam um avanço em nossas capacidades de combate e entendimento da doença”, explica o virologista Rafael Elias Marques.

Marques trabalha há anos com vírus transmitidos por mosquitos que são “negligenciados”, ou seja, que não são aqueles que envolvem doenças bastante conhecidas da população brasileira, como dengue, zika ou chikungunya.

Entre os objetos de estudo estão, além do mayaro, o oropouche e o vírus da encefalite de St. Louis, todos em circulação no Brasil e América Latina, e sobre os quais os cientistas pouco conhecem.

“Nunca se previne, mas o trabalho, o entendimento da biologia desses vírus, ajuda a entender como a doença e as infecções se desenvolvem, como as proteínas do vírus se organizam e a partir daí podemos buscar entender como intervir”, explica o pesquisador do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), que integra o CNPEM.