Pesquisadores da UFV participam de estudo que é capa do melhor periódico de Química da América Latina
5 de novembro de 2021

Há cerca de dois anos, pesquisadores da UFV e das universidades federais de Minas Gerais (UFMG) e de Alfenas (Unifal) vêm investigando, em conjunto, os efeitos antiproliferativo e antimetastático de derivados do ácido cinâmico sobre as células de melanoma. O ácido cinâmico é uma substância de origem natural encontrada na canela, na uva e no café que tem sido usada como modelo para projetar e chegar a novos compostos com atividades antitumorais.

Os resultados obtidos até agora pela equipe de pesquisadores foram reconhecidos pelo Journal of the Brazilian Chemical Society. Em sua última edição, publicada em outubro, o melhor periódico da América Latina na área de química destacou, em sua capa, a pesquisa descrita no artigo Synthesis of Novel Cinnamides and a Bis Cinnamate Bearing 1,2,3-Triazole functionalities with Antiproliferative and Antimetastatic on Melanoma Cells.

No trabalho, os autores descrevem a síntese de derivados do ácido cinâmico que realizaram em laboratório, tendo como objetivo a produção de novos agentes quimioterápicos para o tratamento do melanoma. A motivação para o estudo se deve ao fato de este tipo de câncer de pele ser um dos mais agressivos em função do comportamento altamente metastático de suas células, resultando em uma taxa de mortalidade expressiva.

O Instituto Nacional de Câncer estima que anualmente sejam diagnosticados no Brasil cerca de 8,5 mil novos casos de melanoma. Embora este número represente apenas 4,5% dos casos de câncer de pele, as pesquisas indicam que 43% das mortes por tumores cutâneos se dão por melanoma. Contribuem para isso os efeitos colaterais e as falhas terapêuticas dos medicamentos disponíveis para o tratamento, justificando, portanto, a síntese de novas moléculas com potencial terapêutico.

Com a síntese dos derivados do ácido cinâmico, os pesquisadores da UFV, UFMG e Unifal produziram substâncias inéditas, classificadas como cinamidas, e um bis-cinamato, todas com grupos triazólicos, que têm um amplo campo de aplicações, inclusive na indústria de fármacos. Os ensaios biológicos de avaliação das substâncias sintetizadas nas células de melanoma mostraram que o composto denominado no trabalho de bis-cinamato apresentou os melhores resultados. Ele não somente inibiu a proliferação das células, como também apresentou efeitos sobre as diversas etapas envolvidas no processo de metástase.

O composto bis-cinamato reduziu a viabilidade celular do melanoma, gerou interrupção do ciclo celular e influenciou o comportamento metastático das células de melanoma, diminuindo a migração, invasão e formação de colônias. Com base nessas descobertas, os pesquisadores acreditam que o composto deva ser melhor explorado para o desenvolvimento de novos agentes antimelanoma.

O professor Róbson Ricardo Teixeira, do Departamento de Química da UFV, um dos autores do artigo, explica que, por enquanto, foram realizados apenas ensaios in vitro. A próxima etapa do estudo deverá avançar para os ensaios in vivo por meio dos quais os pesquisadores poderão avaliar a efetividade do bis-cinamato em modelos animais. Se os resultados se confirmarem, a ciência estará abrindo mais uma porta para reduzir os danos do melanoma no futuro.  

Além do professor Róbson Teixeira, assinam o artigo os também docentes da UFV Leandro Licursi de Oliveira e Mariana Machado Neves, ambos do Departamento de Biologia Geral, a ex-aluna da UFV Fabíola Suelen dos Santos, atualmente doutoranda na UFMG, Talita Gontijo e Lucas Santos, ambos egressos do Programa de Pós-Graduação em Química da UFMG. Também participam as professoras Rossimíriam Pereira de Freitas (Departamento de Química – UFMG) e Graziela Domingues de Almeida Lima (Instituto de Ciências Biomédicas – Unifal) e Juliana Alves do Vale, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e Estrutural da UFV.

Fonte: UFV

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