Viçosa: pesquisadores da UFV atuam na recuperação do Parque do Cristo Redentor
10 de março de 2022

Enquanto algumas cidades brasileiras lamentam as tragédias causadas por chuvas intensas, uma iniciativa da UFV na recuperação do Parque Natural Municipal do Cristo Redentor, em Viçosa, mais conhecido como Parque do Cristo, no alto do bairro Bela Vista, mostra que a prevenção feita com base em conhecimentos científicos traz resultados rápidos e positivos na recuperação de áreas degradadas.

O trabalho vem sendo conduzido pelo Instituto Socioambiental de Viçosa (ISAViçosa), ONG criada em 2007 para atuar nesta área, em parceria com pesquisadores do Departamento de Solos (DPS) da Universidade. Segundo Pedro Christo Brandão, pesquisador do DPS e coordenador das ações para implementação do Plano de Manejo do Parque, ao avaliar a região, os especialistas detectaram o avançado processo de degradação do solo e os perigos que isso representa para episódios de desmoronamentos causados pelo escoamento superficial da água da chuva: “a maior parte do Parque é uma encosta muito íngreme. E há um histórico de incêndios na área. Só ano passado, por exemplo, foram três. Pelas informações que conseguimos resgatar, o local sempre foi utilizado como pastagem, ficando sem vegetação, devido aos incêndios. Então, trata-se de um solo muito compactado e a água da chuva que bate ali, escorre toda. É um volume muito grande, ainda mais nesse ano, que tem chovido bastante”.

Para evitar deslizamentos, os especialistas utilizaram técnicas que incluem a construção de caixas de contenção de águas pluviais (conhecidas como barraginhas e caixas secas); construção de terraços de base estreita e plantio de cordões vegetativos em curva de nível; paliçadas nas áreas erodidas, sistema de drenagem superficial, reconformação topográfica e revegetação de taludes, além da adequação de estradas não pavimentadas nos limites do Parque. “Entre setembro e dezembro de 2021, implementamos essas técnicas visando, em um primeiro momento, preparar o terreno para o período chuvoso e, assim, reduzir o escoamento superficial, evitando os processos erosivos e aumentando a infiltração da água no solo”, conta Davi Salgado de Senna, também pesquisador em formação no DPS. Com isso, eles reduziram as enxurradas que atingiam toda a região, incrementando a recarga do lençol freático da microbacia. “As ações de monitoramento da eficiência das técnicas e a coleta de dados de precipitação ocorrida na área do Parque possibilitaram estimar a captação de mais de dois milhões de litros de água de chuva somente no último trimestre de 2021”.

Os pesquisadores também utilizam técnicas de conservação do solo e da água inspiradas na tecnologia social conhecida como plantio de água. “Essa é uma forma de gestão dos recursos hídricos com base em conceitos de manejo de bacias e sub-bacias hidrográficas. Nós combinamos técnicas capazes de proporcionar ganhos em quantidade e qualidade de água nas propriedades rurais, investindo na melhor captação e maior infiltração da água de chuva no solo, reduzindo, assim, a erosão e as enxurradas”, explica Davi, que tem atuado há 10 anos em comunidades rurais com projetos que utilizam dessa tecnologia social e também colabora, atualmente, como associado do ISAViçosa. O uso dessas técnicas faz parte do projeto de doutorado de Davi, que visa avaliar tecnologias de produção de água como ferramenta para recuperação de microbacias hidrográficas na Zona da Mata de Minas Gerais, tomando o Parque do Cristo como referência.

O trabalho realizado pela UFV e pela ONG vem sendo reconhecido pela comunidade. Segundo Davi, em reuniões realizadas periodicamente, moradores e empreendimentos que ficam no entorno do Parque relatam que já percebem a redução das enxurradas com barro que atingiam as ruas abaixo. Para Pedro, apesar da sociedade estar ansiosa para ver o reflorestamento do Parque avançar, seria impossível dar prosseguimento à recuperação da área sem essa etapa de atenção às erosões: “agora, sim, é possível construirmos um plano de recomposição florestal para que, em setembro ou outubro, possamos iniciar o plantio das mudas”.

As ações ambientais no Parque do Cristo são realizadas com recursos disponibilizados pelo Ministério Público de Minas Gerais.

Trabalho multidisciplinar

Criado em 2001, o Parque do Cristo foi transformado em uma Unidade de Conservação em 2009 e conta com uma área de aproximadamente 113 mil metros quadrados. Em maio do ano passado, o ISAViçosa assinou um acordo de cooperação para implementar o Plano de Manejo que foi elaborado pela Prefeitura Municipal de Viçosa. O trabalho é multidisciplinar e envolve diversas áreas do conhecimento. No Departamento de Solos, além do Davi e do Pedro, estão envolvidos os professores Elpídio Fernandes Filho, Márcio Francelino, Irene Cardoso e Raphael Fernandes, que têm participado na execução e monitoramento do Plano de Recuperação de Áreas Degradadas do Parque.

O Departamento de Engenharia Florestal está atuando no programa de prevenção e combate a incêndios do Parque e o Departamento de Educação, na área de educação ambiental. A expectativa é que, nos próximos meses, contribuam também os departamentos de Comunicação Social, com a parte de comunicação e mobilização social e em projetos de comunicação organizacional e educação ambiental, e de Arquitetura, para adequação dos projetos arquitetônicos das estruturas previstas no Plano de Uso Público, elaborado com participação de setores da sociedade.

Mais informações sobre a iniciativa podem ser encontradas em parquedocristo.isavicosa.org.

Fonte: UFV

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