100 anos do rádio: A história do veículo de comunicação no Brasil
20 de setembro de 2022

Primeira transmissão, primeira rádio e Era de Ouro

Em setembro de 1922, nasceu o rádio brasileiro. Especificamente, no dia do centenário da Independência, o Brasil contou com uma comemoração diferenciada. Seria a transmissão à distância e sem fios, da fala do presidente, que na época era Epitácio Pessoa, na inauguração da radiotelefonia brasileira, no estado do Rio de Janeiro.

A memória nacional sobre a radiodifusão, contém algumas divergências. Segundo o professor, especialista em rádio e radialista, Getúlio Neuremberg, há pesquisas que apontam que o rádio começou a operar em território brasileiro anos antes.

“Setembro é um mês muito importante, porque nós temos várias celebrações alusivas ao rádio e, especialmente, no dia 7 de setembro. Então, Epitácio Pessoa contratou duas indústrias norte-americanas, a West House e a Western Eletric, para instalar equipamentos de transmissores na praia vermelha, onde foi realizada a cerimônia, e no Corcovado, onde foi instalado o transmissor. Naquela época, os discursos proferidos no palanque da cerimônia, eram ouvidos por 80 alto-falantes. Foi montado um sistema de alto-falantes espalhados na baía de Guanabara. Então, esse é o marco do rádio no Brasil, mas há registros de que três anos antes, em 1919, já existia a Rádio Clube de Pernambuco. Então na realidade a rádio mais antiga do Brasil seria a Rádio Clube de Pernambuco.”

Para entender toda essa história do surgimento do rádio, precisamos falar sobre um personagem importante, Padre Landell. Roberto Landell de Moura, foi o primeiro a transmitir a voz por comunicação sem fio no mundo, em 1899. No fim do século 19, o mundo vivenciava os primeiros experimentos da comunicação sem fio. Enquanto na Europa, testes feitos por Marconi contavam com incentivo inglês, um brasileiro, sem incentivos e reconhecimento, se tornava o precursor da radiodifusão. Ele morreu em 1928, sem nenhum reconhecimento.

Mas, foi através de Roquette Pinto, médico que pesquisava a radioeletricidade, que surgiu a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, após convencer a Academia Brasileira de Ciências a patrocinar a emissora. 

“Graças a Edgar Roquette Pinto, esses equipamentos que foram usados nessa primeira transmissão oficial, foram aproveitados para serem usados na inauguração da primeira emissora de rádio, aquela que é considerada a primeira emissora, que é a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Vamos considerar que já existia a Rádio Clube de Pernambuco desde 1919, mas então a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, foi inaugurada em abril de 1923 por Edgar Roquette Pinto, porque ele já havia naquela época o potencial de difusão de Educação e Cultura que o rádio tinha”, ressalta Getúlio Neuremberg.

Com essa atitude, ele ficou conhecido como o “pai do rádio brasileiro”, inclusive, sua data de aniversário, 25 de setembro, se tornou o “Dia do Rádio”.

Escutar rádio era uma experiência coletiva e familiar. Reunir-se em torno do aparelho e apreciar a música, a informação, o esporte ou os programas de entretenimento era um ritual raramente realizado individualmente. Foi na chamada ‘Era de Ouro do Rádio’ que surgiram as radionovelas, os programas humorísticos, musicais, esportivos e acesso às notícias locais, nacionais e mundiais.

“Uma das grandes atrações da década de ouro do rádio, foram as radionovelas. Atores e atrizes começaram sua carreira no rádio, alguns depois migraram para televisão, e também animadores de auditório. Os programas de auditório começaram no rádio, eram pessoas que lotavam os auditórios das emissoras de rádio. Aqui em Belo Horizonte mesmo, a rádio inconfidência tinha um auditório ali onde hoje é a rodoviária. Lá era um prédio onde funcionava a feira de amostras e a Rádio Inconfidência. As pessoas iam pessoalmente para participar dos programas e como os programas viviam lotados, as pessoas corriam para suas casas para poder acompanhar pelo rádio e não perder os seus principais ídolos”, aponta Getúlio Neuremberg.

Apesar dessa trajetória de crescimento do rádio, foram décadas no ar sem atos regulatórios do poder, já que o Poder Executivo ficou praticamente ausente. Somente em setembro de 1934, com a outorga de uma nova Constituição, concluída sob forte influência do governo Getúlio Vargas foi novamente empossado como presidente da República e instituiu o Departamento de Imprensa e Propaganda, que impunha controle de conteúdo nas transmissões. Em 1937, começaram as vendas de receptores e de ondas curtas no Brasil.

Mas foi em 1938 o ano divisor de águas, pois o país parou para ouvir as transmissões dos jogos da Copa do Mundo, sediada na França, se rendendo ao jornalismo radiofônico. Com a chegada da TV, também chegou à necessidade de pensar no Código Brasileiro da Radiodifusão. Somente em 1958, com Juscelino Kubistchek na presidência, surgiu um amplo projeto de Código apresentado pela bancada da UDN. Seu autor era o deputado e radialista Nicolau Tuma.

Foi o ex-ministro e presidente do Senado, Alexandre Marcondes Filho, que ficou encarregado de levar ao Senado um projeto mais amplo, denominado Código Brasileiro de Telecomunicações. Com João Goulart no poder, após renúncia de Jânio Quadros, cabia a ele o ato final de sancionar o primeiro Código Brasileiro de Telecomunicações do país, em 1962. A resposta de Jango foi o veto a 52 artigos, o que o Congresso derrubou. Assim, em 1967, foi criado o Ministério das Comunicações, no dia 25 de fevereiro. 

100 anos do rádio

O rádio é um veículo de comunicação que dá voz a sociedade, acolhe, abraça, é humano, e por ser, resiste. Após 100 anos de história no Brasil, a única certeza que temos é que apesar de qualquer situação teremos eternamente um amigo fiel a todo momento e em todo lugar.

Por Portal Amirt

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