terça-feira, 16 de junho de 2026
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Inclusão de autistas no trabalho ainda enfrenta barreiras no Brasil

Inclusão de autistas no trabalho ainda enfrenta barreiras no Brasil

Dados apontam baixa presença de pessoas com TEA no emprego formal e indicam necessidade de mudanças nas empresas

A inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mercado de trabalho ainda enfrenta obstáculos no Brasil. Entre os principais desafios estão a falta de informação, o preconceito e a ausência de adaptações nos ambientes corporativos. Estimativas indicam que o país possui cerca de 2,4 milhões de pessoas autistas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse total, apenas duas em cada dez estão inseridas no emprego formal.

Os dados refletem a dificuldade de acesso dessa população ao mercado de trabalho. Apesar de a legislação reconhecer, desde 2012, pessoas com TEA como pessoas com deficiência e garantir sua inclusão na Lei de Cotas, a aplicação dessa política ainda apresenta limitações. A ausência de estatísticas completas sobre empregabilidade leva à utilização de estudos independentes, como o Mapa Autismo Brasil, que aponta baixa inserção social e autonomia econômica reduzida entre adultos autistas.

Indicadores educacionais também influenciam esse cenário. Entre pessoas autistas com 25 anos ou mais, apenas 15,7% concluíram o ensino superior, percentual inferior ao da população geral. Esse fator impacta diretamente as oportunidades de acesso ao emprego formal.

Especialistas destacam a necessidade de mudanças nos processos de recrutamento. A professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, Dra. Mariana Ramos, afirma que entrevistas tradicionais priorizam habilidades sociais e comunicação sob pressão, o que pode limitar a participação de candidatos autistas. Ela defende processos mais objetivos, com critérios claros e avaliações práticas.

A permanência no trabalho também depende de adaptações no ambiente. Medidas como redução de estímulos sensoriais, definição de rotinas e comunicação direta contribuem para a adaptação dos profissionais. Segundo a especialista, a falta de preparo de equipes e lideranças ainda é um dos principais entraves, o que reforça a necessidade de treinamentos e de mudanças na cultura organizacional.

A adoção de práticas inclusivas exige ações contínuas. A orientação é considerar as necessidades individuais dos trabalhadores, em vez de aplicar padrões uniformes. A construção de ambientes mais inclusivos envolve mudanças no cotidiano das empresas e na forma como as relações de trabalho são conduzidas.

Fonte: Afya