Inclusão de autistas no trabalho ainda enfrenta barreiras no Brasil
30 de abril de 2026

Dados apontam baixa presença de pessoas com TEA no emprego formal e indicam necessidade de mudanças nas empresas
A inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mercado de trabalho ainda enfrenta obstáculos no Brasil. Entre os principais desafios estão a falta de informação, o preconceito e a ausência de adaptações nos ambientes corporativos. Estimativas indicam que o país possui cerca de 2,4 milhões de pessoas autistas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse total, apenas duas em cada dez estão inseridas no emprego formal.
Os dados refletem a dificuldade de acesso dessa população ao mercado de trabalho. Apesar de a legislação reconhecer, desde 2012, pessoas com TEA como pessoas com deficiência e garantir sua inclusão na Lei de Cotas, a aplicação dessa política ainda apresenta limitações. A ausência de estatísticas completas sobre empregabilidade leva à utilização de estudos independentes, como o Mapa Autismo Brasil, que aponta baixa inserção social e autonomia econômica reduzida entre adultos autistas.
Indicadores educacionais também influenciam esse cenário. Entre pessoas autistas com 25 anos ou mais, apenas 15,7% concluíram o ensino superior, percentual inferior ao da população geral. Esse fator impacta diretamente as oportunidades de acesso ao emprego formal.
Especialistas destacam a necessidade de mudanças nos processos de recrutamento. A professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, Dra. Mariana Ramos, afirma que entrevistas tradicionais priorizam habilidades sociais e comunicação sob pressão, o que pode limitar a participação de candidatos autistas. Ela defende processos mais objetivos, com critérios claros e avaliações práticas.
A permanência no trabalho também depende de adaptações no ambiente. Medidas como redução de estímulos sensoriais, definição de rotinas e comunicação direta contribuem para a adaptação dos profissionais. Segundo a especialista, a falta de preparo de equipes e lideranças ainda é um dos principais entraves, o que reforça a necessidade de treinamentos e de mudanças na cultura organizacional.
A adoção de práticas inclusivas exige ações contínuas. A orientação é considerar as necessidades individuais dos trabalhadores, em vez de aplicar padrões uniformes. A construção de ambientes mais inclusivos envolve mudanças no cotidiano das empresas e na forma como as relações de trabalho são conduzidas.
Fonte: Afya