Câmara de Viçosa aprova moção contra transformação do Raul de Leoni em colégio militar
19 de maio de 2026

Documento será encaminhado ao governo de Minas e aponta falta de diálogo com a comunidade escolar
A Câmara Municipal de Viçosa aprovou, na reunião ordinária de segunda-feira (18), uma moção de repúdio contra a transformação da Escola Estadual Raul de Leoni em unidade do Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais. O documento foi elaborado pelos vereadores Jamille Gomes, Professor Idelmino e Maria Prisca.
A moção será encaminhada ao governador em exercício de Minas Gerais, Mateus Simões. O texto expressa posicionamento contrário à mudança anunciada pelo Governo do Estado para a unidade de ensino.
Na justificativa, os autores afirmam que a decisão foi comunicada sem diálogo prévio com estudantes, familiares, profissionais da educação e a comunidade escolar. Segundo o documento, a ausência de consultas públicas e debates contraria o princípio da gestão democrática do ensino público previsto na Constituição Federal.
Os vereadores também destacam que a Escola Estadual Raul de Leoni possui relevância histórica e social em Viçosa. O texto menciona o papel da instituição na formação de estudantes e na promoção da diversidade de ideias no ambiente escolar.
A moção aponta ainda que a adoção de um modelo de gestão militarizada pode impactar a autonomia pedagógica da escola e alterar características construídas ao longo dos anos pela comunidade escolar. O documento defende que os desafios da educação pública sejam enfrentados com investimentos em infraestrutura, valorização dos profissionais e fortalecimento das políticas pedagógicas.
Durante a reunião, o vereador Cristiano Gonçalves manifestou apoio à implantação do Colégio Tiradentes no município. Ele afirmou que o governador Mateus Simões informou que a unidade deve começar a funcionar no próximo ano no prédio do Raul de Leoni.
Em outro momento, o vereador reconheceu que não houve diálogo com a comunidade escolar e com os pais sobre a proposta. Ele declarou que decisões impostas não são adequadas. Apesar disso, afirmou que há parte da população favorável à implantação do modelo e defendeu a consideração de experiências que, segundo ele, apresentam resultados ao longo do tempo.