Estudo da UFV propõe uso de bioengenharia para recuperar margens do Rio Paraopeba após desastre em Brumadinho
28 de maio de 2026

Pesquisa apresenta técnica com plantas nativas para estabilizar solo e reduzir assoreamento em áreas afetadas por rejeitos de mineração
Um estudo desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) propõe o uso de técnicas de bioengenharia para recuperação das margens do Rio Paraopeba, em Brumadinho (MG), afetadas após o rompimento da barragem em 2019. A pesquisa foi publicada em 25 de maio na revista científica Sustainability.
O rompimento da barragem provocou instabilidade em trechos das margens e aumentou o risco de assoreamento. Até então, a solução mais utilizada era o riprap, método que emprega barreiras de pedras para conter o solo, mas que não promove a recuperação da biodiversidade local.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal da UFV, sob orientação do professor Sebastião Venâncio Martins. A proposta utiliza técnicas de Engenharia Natural, também conhecidas como Bioengenharia de Solos, que combinam pedras, troncos e plantas vivas para estabilizar áreas degradadas.
Durante a pesquisa, a equipe selecionou espécies nativas de matas ciliares da região e realizou testes com estacas vivas, que são galhos com capacidade de enraizamento, instaladas diretamente nas margens do rio. Os pesquisadores acompanharam o desenvolvimento das plantas e analisaram o comportamento das raízes na contenção do solo.
Os resultados indicaram que o sistema radicular das espécies contribui para a fixação da terra e melhora as condições químicas do solo, favorecendo o surgimento de novas plantas. Entre as espécies analisadas, a Sangra-d’água (Croton urucurana) apresentou maior taxa de sobrevivência e crescimento. Já o Sarandi (Salix virgata) demonstrou rapidez na proteção contra a erosão. A espécie Gymnanthes schottiana apresentou enraizamento, mas não resistiu às cheias prolongadas.
O estudo também apontou aumento nos estoques de carbono orgânico do solo na camada de 0 a 40 cm, indicando recuperação do ecossistema. As raízes formam uma estrutura que reduz o transporte de sedimentos para o rio, contribuindo para evitar o assoreamento.
A pesquisa foi realizada em parceria com a empresa Vale e pode ser aplicada em outras áreas impactadas por rejeitos, além de projetos de controle de erosão em rodovias, recuperação de rios urbanos e estabilização de encostas.
O trabalho está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, com foco em ações relacionadas ao clima, à vida na água e à vida terrestre.
