sexta-feira, 14 de agosto de 2026
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Jacu impulsiona produção de café especial em Araponga, onde quilo supera R$ 1.500

Jacu impulsiona produção de café especial em Araponga, onde quilo supera R$ 1.500

Cafeicultora organiza coleta dos grãos eliminados pela ave e reúne grupo de mulheres para ampliar a produção do Café do Jacu

O jacu, ave da Mata Atlântica, participa da produção de um café comercializado por mais de R$ 1.500 o quilo em Araponga, na região das Matas de Minas. O produto é feito a partir dos grãos eliminados nas fezes da ave, que consome apenas os frutos maduros do cafeeiro.

A cafeicultora Kátia Martins produz o Café do Jacu há três anos. Segundo ela, a presença da ave passou a ter outro significado na propriedade. “Alguns veem o jacu como inimigo, eu o vejo como sócio”, afirma.

A produção anual chega a 30 quilos. Para ampliar a coleta dos grãos, Kátia reuniu dez mulheres da região, que recolhem o material e o vendem para a produtora. De acordo com ela, o grupo funciona como uma associação, na qual todas participam da atividade e recebem pela coleta.

O processo começa quando o jacu escolhe os frutos maduros para se alimentar. Durante a digestão, a ave aproveita apenas a polpa, enquanto os grãos permanecem preservados. Depois da coleta, o café passa por etapas de higienização, secagem, beneficiamento e torra antes de seguir para a comercialização.

Segundo o supervisor do programa ATeG Café+Forte, Daniel Prado, o valor do produto está ligado ao processo de produção e ao volume reduzido dos lotes. Ele explica que a coleta precisa ocorrer rapidamente para evitar problemas durante o armazenamento.

Prado afirma que o pós-coleta exige cuidados para impedir a proliferação de fungos que possam comprometer a qualidade dos grãos. Esse conjunto de etapas torna a produção mais restrita em comparação ao café convencional.

O Café do Jacu integra um segmento de cafés produzidos em pequenas quantidades e depende do comportamento natural da ave para sua obtenção. Em Araponga, a atividade combina a coleta dos grãos com o processamento realizado na propriedade, formando uma cadeia de produção baseada na seleção natural feita pelo jacu durante a alimentação.