sexta-feira, 25 de setembro de 2026
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Estudo da UFV aponta impactos ambientais no Rio Doce 10 anos após desastre de Mariana

Estudo da UFV aponta impactos ambientais no Rio Doce 10 anos após desastre de Mariana

Pesquisa identificou alterações reprodutivas em peixes e maior atividade de espécies não nativas na bacia hidrográfica

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) aponta que a Bacia do Rio Doce continua sob impactos ambientais 10 anos após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015. A pesquisa identificou alterações no processo reprodutivo de peixes nativos e maior atividade reprodutiva de espécies não nativas no baixo Rio Doce.

A Bacia do Rio Doce abastece mais de 200 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo. Após o rompimento da barragem, o fluxo de lama percorreu cerca de 660 quilômetros e afetou os ecossistemas aquáticos e terrestres. A lama reduziu a quantidade de oxigênio na água, provocando a morte de peixes e a redução da diversidade de espécies nativas.

Desde 2018, pesquisadores acompanham a biodiversidade aquática da bacia por meio de dados coletados pelo Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática (PMBA). A iniciativa reúne pesquisadores, técnicos e estudantes de diferentes universidades e conta com a participação da UFV.

A pesquisa analisou dados obtidos ao longo de quase 10 anos. Segundo os pesquisadores, a utilização de séries históricas permite identificar se alterações observadas no ambiente correspondem a oscilações naturais ou a tendências de mudança.

O estudo avaliou a capacidade de reprodução dos peixes, diferenças entre espécies nativas e não nativas e alterações microscópicas nos órgãos reprodutivos e no sistema nervoso de larvas. A comunidade de peixes foi utilizada como indicador das condições do ecossistema.

Os resultados mostram que o Rio Doce continua com peixes em reprodução, mas os pesquisadores identificaram alterações na composição e nas condições biológicas das espécies.

Uma das principais constatações foi a maior atividade reprodutiva de espécies não nativas. Esses peixes apresentaram maior sucesso reprodutivo do que espécies nativas na calha principal do rio e nos afluentes.

A pesquisa também identificou alterações microscópicas nos órgãos reprodutivos de diferentes espécies e malformações no desenvolvimento do sistema nervoso de larvas.

De acordo com os pesquisadores, as alterações foram registradas em espécies nativas e não nativas. O estudo relaciona a presença dessas alterações a pressões ambientais persistentes na bacia.

A presença e a reprodução de espécies não nativas podem provocar competição por recursos, predação de peixes nativos e mudanças na cadeia alimentar. Os pesquisadores apontam que a continuidade desse processo pode reduzir a fauna nativa e alterar a disponibilidade de recursos pesqueiros utilizados por comunidades que dependem do Rio Doce.

A pesquisa teve como principais autores a professora Elisabeth Henschel, do Departamento de Biologia Animal da UFV, e o pesquisador em estágio pós-doutoral Lucas Marcon. O trabalho foi publicado na revista internacional Anatomia, Histologia, Embryologia.

O estudo foi financiado pela Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (Fest/Ufes), dentro do Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática da Bacia do Rio Doce.

Informações: UFV