À frente da Universidade Federal de Viçosa desde 2019, reitor e vice-reitora conduziram a instituição durante a pandemia, ampliaram a estrutura de pesquisa, iniciaram o ciclo de comemorações do centenário e promoveram o avanço da construção do Hospital Universitário em articulações com os governos estadual e federal
A Universidade Federal de Viçosa (UFV) atravessou mudanças na estrutura acadêmica, investimentos em pesquisa, ampliação de oportunidades de ingresso e novas articulações para fortalecer o atendimento à saúde regional durante os dois mandatos do reitor Demetrius David da Silva e da vice-reitora Rejane Nascentes. A primeira gestão ocorreu entre 2019 e 2023, e a segunda começou em junho de 2023, com previsão de encerramento em 2027.
O período foi marcado pela necessidade de manter as atividades universitárias durante a pandemia de Covid-19, pela busca de recursos para modernizar laboratórios e pela preparação para o centenário da instituição, celebrado em 2026. Os relatórios anuais de gestão da UFV registram ações nas áreas de ensino, pesquisa, extensão, inovação, assistência estudantil e infraestrutura.
Pandemia exigiu mudanças nas atividades acadêmicas
Nos primeiros anos da gestão, a pandemia de Covid-19 exigiu a reorganização das atividades acadêmicas e administrativas nos três campi da Universidade: Viçosa, Florestal e Rio Paranaíba. A instituição adotou atividades remotas e promoveu ações de enfrentamento à doença, incluindo a produção de máscaras e escudos faciais e a realização de testes para detecção do coronavírus em laboratórios credenciados pela Fundação Ezequiel Dias.
A administração também manteve ações de planejamento, reformas e adequações de infraestrutura, com iniciativas voltadas à acessibilidade e à sustentabilidade. As medidas foram desenvolvidas em um cenário de restrições orçamentárias que afetou as universidades federais.
Na recondução de Demetrius e Rejane, em 2023, a reitoria estabeleceu como prioridades a manutenção da estrutura existente, a modernização dos laboratórios didáticos e o fortalecimento da assistência estudantil. Na ocasião, a Universidade anunciou R$ 3 milhões em recursos próprios para apoiar a modernização e a manutenção de laboratórios de ensino.
Mais de R$ 41 milhões aprovados para equipamentos de pesquisa
Um dos principais resultados da segunda gestão foi a aprovação de projetos que somam R$ 41,68 milhões para aquisição de equipamentos destinados à pesquisa científica. O montante foi aprovado em três editais da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep): Pró-Infra, Recupera-Infra e Centros Temáticos.
Entre os investimentos previstos está a aquisição de um computador de alto desempenho, conhecido como cluster, com custo superior a R$ 13 milhões. O equipamento foi planejado para atender pesquisadores dos três campi e ampliar a capacidade de processamento de dados utilizados em diferentes áreas científicas.
Os projetos foram estruturados a partir do levantamento das necessidades de equipamentos e de manutenção da infraestrutura de pesquisa. A iniciativa busca ampliar as condições de trabalho dos grupos científicos e fortalecer a capacidade da Universidade de desenvolver estudos e projetos em parceria com outras instituições.
A UFV também manteve sua atuação na formação de pesquisadores e na pós-graduação. Em 2023, a reitoria informou que a instituição já havia formado mais de 54 mil profissionais na graduação e acumulado mais de 5,5 mil teses de doutorado defendidas. Naquele momento, cinco programas de pós-graduação tinham conceito 6 e oito alcançavam conceito 7 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), indicadores associados à inserção internacional dos cursos.
UFV mantém presença em rankings internacionais
O desempenho acadêmico e científico também aparece nos rankings universitários. Em 2025, a Universidade figurou entre as instituições avaliadas em classificações internacionais, com resultados em áreas como Ciências Agrárias, Ciências Biológicas e desenvolvimento sustentável.
No Academic Ranking of World Universities (ARWU), conhecido como Ranking de Xangai, a UFV ocupou, em 2026, uma posição entre a 9ª e a 12ª colocação entre as universidades brasileiras e a 813ª posição mundial. O resultado representou uma melhora de quatro posições em relação à edição de 2025.
No indicador de pesquisadores altamente citados, a instituição ficou em terceiro lugar entre as universidades brasileiras e em primeiro entre as universidades federais, conforme a divulgação da própria UFV. Os resultados refletem a produção científica acumulada pela Universidade.
Novas oportunidades de ingresso e formação
Na área de ensino, a UFV deu continuidade à ampliação das formas de ingresso e à diversificação de seu público. Entre as iniciativas está a consolidação do Programa de Avaliação Seriada para Ingresso na UFV (Pases), que permite aos candidatos concorrer a vagas a partir de avaliações realizadas ao longo do ensino médio.
Outra medida foi a criação de um processo seletivo exclusivo para pessoas com 60 anos ou mais, realizado pela primeira vez em 2025. A iniciativa ampliou as possibilidades de acesso à graduação para esse público.
A Mostra Universitária também continuou a reunir estudantes do ensino médio nos três campi, com atividades de apresentação dos cursos e orientação sobre a vida acadêmica. A proposta é aproximar a Universidade da educação básica e auxiliar os jovens na escolha profissional.
Na assistência estudantil, a instituição manteve ações relacionadas às moradias, aos restaurantes universitários, às bolsas e à melhoria das condições de permanência. O desafio de garantir que estudantes em situação de vulnerabilidade consigam ingressar e concluir os cursos permaneceu entre as questões centrais da administração.
Hospital Universitário avança nas articulações
A implantação de um Hospital Universitário em Viçosa tornou-se uma das principais pautas institucionais da segunda gestão, com potencial de repercussão para a rede pública de saúde da região.
A reitoria iniciou articulações com o Ministério da Educação (MEC) e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), vinculada ao governo federal, para avaliar a viabilidade do projeto. Em 2024, a Universidade solicitou estudos sobre as necessidades assistenciais do município e da Macrorregião de Saúde Leste do Sul.
Em dezembro de 2025, a UFV apresentou os resultados de um estudo sobre a situação da saúde regional e a implantação do hospital. O levantamento identificou demandas relacionadas a consultas especializadas, exames e leitos hospitalares.
Em maio de 2026, o Governo de Minas Gerais oficializou o compromisso de apoiar a construção e a aquisição de equipamentos para a unidade, por meio de um acordo de cooperação técnica envolvendo o Estado, o MEC, a Ebserh e a UFV. A Universidade informou que disponibilizará um terreno para o empreendimento, planejado para contar com 186 leitos e atendimento exclusivo pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O projeto prevê atendimento de média e alta complexidade para moradores de 53 municípios da macrorregião. Até outubro de 2026, entretanto, a construção ainda representava uma iniciativa em fase de implantação, e não um serviço hospitalar já em funcionamento.
Obras e preparação para o centenário
A infraestrutura também ganhou espaço na agenda da Universidade. Em abril de 2026, durante homenagem à trajetória da UFV na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o reitor informou que havia mais de 30 obras em andamento no campus Viçosa, com investimentos estimados em R$ 165 milhões. Segundo a divulgação institucional, R$ 70 milhões desse total foram viabilizados por meio de articulação com o governo estadual.
Os recursos abrangem intervenções destinadas à estrutura universitária e às atividades de ensino, pesquisa e extensão. A avaliação dos resultados, contudo, depende do acompanhamento da execução das obras, dos prazos e da conclusão de cada empreendimento.
A preparação para os 100 anos da Universidade, comemorados em 28 de agosto de 2026, também mobilizou a administração. A programação incluiu atividades acadêmicas, culturais e científicas, encontros com instituições estrangeiras e ações de memória e planejamento para o futuro da UFV.
O centenário marcou o encerramento de uma etapa de consolidação institucional e abriu espaço para discutir as prioridades das próximas décadas. Entre os temas que permanecem na agenda estão a manutenção da infraestrutura, a recomposição de recursos para as universidades federais, a assistência estudantil, a ampliação da pesquisa e a implantação do Hospital Universitário.
Com a segunda gestão prevista até 2027, o balanço de Demetrius David da Silva e Rejane Nascentes reúne resultados já registrados, como a aprovação de recursos para pesquisa e a ampliação das modalidades de ingresso, além de projetos em andamento cuja conclusão dependerá das próximas etapas administrativas e financeiras.

