terça-feira, 9 de junho de 2026
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Pesquisa realizada na UFV conquista Prêmio Capes de Tese na área de Zootecnia

Pesquisa realizada na UFV conquista Prêmio Capes de Tese na área de Zootecnia

Uma tese defendida no Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da UFV no ano passado foi contemplada com o Prêmio Capes de Tese Edição 2024 na área de Zootecnia e Recursos Pesqueiros. Em seu trabalho, a pesquisadora Renata de Fátima Bretanha Rocha, orientada pela professora Simone Facioni Guimarães, gerou resultados que irão ajudar os produtores a melhorar a qualidade genética do rebanho de gado leiteiro da raça Gir, associando biotecnologias reprodutivas e genômicas.

Concedido anualmente, o Prêmio Capes de Tese reconhece os melhores trabalhos de conclusão de doutorado defendidos no Brasil nas 49 áreas de avaliação que fazem parte do Sistema Nacional de Pós-Graduação. A premiação considera a originalidade, relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural e social, metodologia utilizada, qualidade da redação, organização do texto e qualidade e quantidade de publicações decorrentes da tese. A solenidade de entrega do Prêmio será em dezembro, em Brasília.

A pesquisa

A Gir é a raça zebuína de maior produtividade leiteira nos trópicos. É valorizada por se adaptar bem à produção em pastagens e a sistemas de criação menos tecnológicos. No Brasil, é muito utilizada nas principais bacias leiteiras, como os estados de Minas Gerais, Goiás e São Paulo. Tradicionalmente, é uma grande fornecedora de genética leiteira ou base para a fundação de outras raças, como a Girolando. A raça é muito conhecida pela docilidade na ordenha, pela adaptação a regiões quentes e pela boa conversão alimentar, ou seja, alta capacidade produtiva, mesmo com baixa quantidade de alimentos ofertados.

Nas fazendas, os animais são constantemente melhorados geneticamente para aumento da produtividade e adaptação a diversos ambientes. Os embriões de vacas muito produtivas são valorizados para geração de novas fêmeas para o rebanho. Por isso, são gerados pelas metodologias de ovulação múltipla e transferência de embriões para vacas receptoras para a continuidade da prenhez. Tal tecnologia faz com que as fêmeas mais produtivas produzam dezenas de crias anualmente. No entanto, por falta de estudos, o potencial genético das matrizes para produção de maior número de oócitos (óvulos ou gametas femininos) coletados e dos embriões gerados ainda não é considerado nos programas de melhoramento genético bovino. “Os criadores têm interesse em ampliar o conhecimento sobre o potencial genético do rebanho, mas ainda faltavam informações e bancos de dados que permitissem um trabalho mais efetivo no entendimento da genética Gir visando à maior geração de embriões em fêmeas com boa produtividade leiteira”, disse Renata ao justificar a importância do seu trabalho.

Foram quatro anos buscando dados em fazendas de diversas regiões do país, tais como a variabilidade genética para as características desejadas, número total de oócitos aspirados em relação ao número de oócitos viáveis e total de embriões produzidos in vitro, incluindo estes dados em programas de melhoramento genético de bovinos, em especial, da raça Gir. A pesquisa também contou com o apoio da Associação Brasileira de Criadores de Gado Gir Leiteiro, da Embrapa Gado de Leite e da Universidade de Wageningen, na Holanda.

A pesquisadora também identificou que o acasalamento entre indivíduos aparentados dentro de uma população, resultando em animais chamados de endogâmicos, pode causar redução do desempenho reprodutivo dos animais – um evento conhecido como depressão endogâmica -, o que impacta negativamente a produção de oócitos e embriões. “Nossas pesquisas também encontraram regiões genômicas e genes específicos no DNA da espécie bovina que influenciam no número de oócitos e embriões produzidos. Um dos achados inéditos desta pesquisa foi o fato de que existe efeito genético dos touros sobre a produção total de oócitos nas filhas”, revelou Renata.

Informações: UFV