Janeiro Branco reforça debate sobre saúde mental diante do aumento de casos de depressão no Brasil
2 de janeiro de 2026

Campanha nacional chama atenção para a prevenção e a promoção da saúde emocional ao longo de todo o ano
O Brasil apresenta a maior prevalência de depressão da América Latina, segundo o relatório “Depressão e outros transtornos mentais”, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2023. O documento também aponta que o número de pessoas afetadas por transtornos mentais comuns cresce em todo o mundo, com maior impacto em países de baixa renda. No cenário nacional, os reflexos desse quadro atingem o mercado de trabalho, já que as doenças mentais figuram como a terceira maior causa de afastamento laboral no país, conforme dados do Observatório de Segurança e Saúde do Trabalho, divulgados pelo Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região (TRT-13).
Diante desse contexto, ações de conscientização ganham relevância. Uma delas é o movimento Janeiro Branco, criado em 2014, em Minas Gerais, pelo psicólogo Leonardo Abrahão. A iniciativa utiliza o início do ano como símbolo de reflexão e incentivo ao cuidado com a saúde mental. Desde então, a campanha se expandiu pelo país, com apoio de profissionais e instituições de diferentes áreas. Em 2023, o movimento foi instituído como lei federal, por meio da Lei nº 14.556, regulamentada em abril, com foco na prevenção e promoção da saúde mental.
Neste ano, a Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados (FENAJUD) aderiu à campanha e promoveu debates sobre o tema. A psicóloga Rita Rocha (CRP 01/19406) explica que o Janeiro Branco tem caráter nacional e busca estimular a consciência emocional da população. Segundo ela, a proposta é tratar a saúde mental de forma contínua, de janeiro a janeiro, e ampliar o diálogo sobre questões emocionais que ainda são consideradas tabu.
A psicóloga destaca que sinais como alterações no sono, no apetite, na respiração e a presença de pensamentos negativos podem indicar a necessidade de buscar apoio. De acordo com Rita, o cuidado com as emoções pode contribuir para evitar a manifestação de sintomas físicos associados ao sofrimento emocional, já que o organismo responde aos desequilíbrios emocionais.
Especialistas apontam que o sofrimento emocional pode ser prevenido ou atenuado com estratégias de cuidado, como reconhecer emoções, adotar hábitos saudáveis e procurar ajuda profissional quando necessário. Entre as orientações estão a prática regular de exercícios físicos, alimentação equilibrada, organização das atividades diárias, manutenção do sono e momentos de descanso.
Para quem busca atendimento, o Ministério da Saúde informa que a Rede de Atenção Psicossocial oferece suporte por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), Unidades Básicas de Saúde, hospitais e clínicas. Esses serviços orientam e encaminham pessoas que enfrentam transtornos mentais ou sofrimento emocional, tanto na rede pública quanto privada.
Informações: Fenajud