Moradores do Latão denunciam descumprimento de interdição e “jogo de empurra” na fiscalização de galpão
7 de abril de 2026

Os moradores relatam funcionamento estratégico durante as madrugadas e dificuldades em obter apoio policial. Denúncia aponta que responsável estaria descumprindo medida cautelar de liberdade provisória.
Moradores da comunidade do Latão, em Coimbra, novamente encaminharam a redação do Primeiro a Saber denúncia sobre o funcionamento irregular de um galpão naquela comunidade. Segundo os relatos, o local, que deveria estar interditado, opera de forma intermitente e estratégica para burlar a fiscalização das autoridades.
A denúncia aponta que o estabelecimento não abre todos os finais de semana, mas concentra suas atividades em períodos específicos: das noites de sexta-feira até as madrugadas de segunda-feira. Essa escala irregular dificultaria ações de fiscalização planejadas, já que o flagrante se torna incerto para os órgãos ambientais e sanitários.
Durante o último feriado da Semana Santa, moradores afirmam que um caminhão permaneceu carregado no local desde a quinta-feira (02/04), o que reforçaria a tese de que o processamento de materiais continua ocorrendo em períodos de menor vigilância.
O ponto mais crítico da reclamação reside na dificuldade de atendimento pelas forças de segurança quando o crime ambiental ocorre em flagrante:
Segundo os moradores, ao ligarem para o 190 são orientados a procurar a Polícia Militar Ambiental e, quando ligam no Disque Denúncia (181) muitas vezes são redireciona para o 190 (Polícia Militar).
Ainda de acordo com o relato dos moradores, a Polícia Militar alega que a competência é exclusiva da Polícia Ambiental, que, por sua vez, não atua em regime de plantão contínuo, deixando a comunidade desamparada durante as noites e madrugadas.
Outro agravante citado na denúncia dos moradores envolve o responsável pelo local De acordo com as informações da comunidade, o responsável pelo local encontra-se em regime de liberdade provisória, sob a condição expressa de não exercer atividades no referido estabelecimento. O funcionamento relatado configuraria, portanto, um descumprimento de medida cautelar, o que poderia acarretar na revogação do benefício jurídico e retorno à prisão.
A comunidade do Latão espera que, com a formalização da denúncia, o Ministério Público e o comando da Polícia Militar alinhem os protocolos de atendimento para que o flagrante não seja mais ignorado devido a entraves burocráticos.
A crise ambiental e sanitária na comunidade do Latão não é recente. No dia 06 de janeiro de 2026, o portal Primeiro a Saber publicou a primeira denúncia formal feita pelos moradores contra o estabelecimento que ficou conhecido como "Depósito de Ossos". Na época, as famílias clamavam por socorro diante de um cenário que descreviam como um "pesadelo de abandono".
A denúncia inicial detalhava como o local funcionava como ponto de recepção de resíduos de açougues e de uma granja próxima, sem o manejo adequado:
Já naquela ocasião, especialistas alertavam que a prática violava a Lei Federal nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais). O Artigo 54 estabelece que causar poluição que resulte em danos à saúde humana ou destruição da flora e fauna é crime passível de detenção e multas pesadas. Além disso, a atividade operava sem o devido licenciamento sanitário para o manejo de resíduos biológicos.