sexta-feira, 3 de julho de 2026
Urgente

Câmara de Viçosa aprova moção contra transformação do Raul de Leoni em colégio militar

Câmara de Viçosa aprova moção contra transformação do Raul de Leoni em colégio militar

Documento será encaminhado ao governo de Minas e aponta falta de diálogo com a comunidade escolar

A Câmara Municipal de Viçosa aprovou, na reunião ordinária de segunda-feira (18), uma moção de repúdio contra a transformação da Escola Estadual Raul de Leoni em unidade do Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais. O documento foi elaborado pelos vereadores Jamille Gomes, Professor Idelmino e Maria Prisca.

A moção será encaminhada ao governador em exercício de Minas Gerais, Mateus Simões. O texto expressa posicionamento contrário à mudança anunciada pelo Governo do Estado para a unidade de ensino.

Na justificativa, os autores afirmam que a decisão foi comunicada sem diálogo prévio com estudantes, familiares, profissionais da educação e a comunidade escolar. Segundo o documento, a ausência de consultas públicas e debates contraria o princípio da gestão democrática do ensino público previsto na Constituição Federal.

Os vereadores também destacam que a Escola Estadual Raul de Leoni possui relevância histórica e social em Viçosa. O texto menciona o papel da instituição na formação de estudantes e na promoção da diversidade de ideias no ambiente escolar.

A moção aponta ainda que a adoção de um modelo de gestão militarizada pode impactar a autonomia pedagógica da escola e alterar características construídas ao longo dos anos pela comunidade escolar. O documento defende que os desafios da educação pública sejam enfrentados com investimentos em infraestrutura, valorização dos profissionais e fortalecimento das políticas pedagógicas.

Durante a reunião, o vereador Cristiano Gonçalves manifestou apoio à implantação do Colégio Tiradentes no município. Ele afirmou que o governador Mateus Simões informou que a unidade deve começar a funcionar no próximo ano no prédio do Raul de Leoni.

Em outro momento, o vereador reconheceu que não houve diálogo com a comunidade escolar e com os pais sobre a proposta. Ele declarou que decisões impostas não são adequadas. Apesar disso, afirmou que há parte da população favorável à implantação do modelo e defendeu a consideração de experiências que, segundo ele, apresentam resultados ao longo do tempo.