Estudo analisou o potencial de áreas em regeneração para recuperar funções climáticas de florestas preservadas
Uma pesquisa liderada por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Meteorologia Agrícola da Universidade Federal de Viçosa (PPGMET/UFV) identificou limites na capacidade de florestas secundárias da Amazônia em recuperar funções de regulação climática semelhantes às de florestas primárias.
O estudo foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e analisou como áreas que voltam a crescer após desmatamento, abandono ou outros usos da terra recuperam serviços ambientais relacionados ao clima.
As florestas secundárias são reconhecidas pela capacidade de retirar carbono da atmosfera, recuperar biomassa e contribuir para a conservação da biodiversidade. A pesquisa buscou avaliar se essas áreas também conseguem restabelecer funções climáticas, como produção de chuva, evapotranspiração e resfriamento da superfície, em níveis próximos aos das florestas antigas e preservadas.
Para realizar a análise, os pesquisadores utilizaram dados de clima e cobertura da terra em três sub-regiões da Amazônia: central, leste e sul. O grupo comparou áreas de floresta primária e secundária em condições semelhantes e também avaliou a situação atual da paisagem amazônica, considerando os locais onde essas florestas estão se regenerando.
Segundo os pesquisadores, os resultados indicaram que as florestas secundárias possuem potencial para regular o clima de forma semelhante às primárias em alguns aspectos, mas a recuperação ainda não ocorre de maneira completa nas paisagens onde estão inseridas.
A pesquisa apontou maior aproximação entre os dois tipos de floresta em relação à evapotranspiração. Já em relação à chuva e à temperatura da superfície, foram observadas diferenças, principalmente em regiões com maior interferência humana, como o leste e o sul da Amazônia brasileira.
O estudo também mostrou que a recuperação das funções climáticas varia conforme a região, o estágio de regeneração, o tamanho da área recuperada e o contexto da paisagem.
De acordo com os autores, os resultados indicam que a regeneração florestal contribui para a regulação climática, mas seu efeito depende das condições em que ocorre. Os pesquisadores destacam que a conservação das florestas primárias continua sendo necessária e que o planejamento da restauração ambiental deve considerar as características de cada região.
A pesquisa foi desenvolvida por integrantes do PPGMET/UFV e está relacionada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas voltados à ação contra a mudança do clima e à conservação da vida terrestre.
Informações: UFV

