Estudantes da UFV protestam contra o aumento dos preços das refeições nos RUs
22 de novembro de 2021

Na manhã desta segunda-feira (22), estudantes da UFV (Universidade Federal de Viçosa estão em frente às Quatro Pilastras (entrada da UFV), na avenida P. H. Rolfs, em Viçosa protestando contra o aumento dos preços no RU (Restaurante Universitário).

Segundo informações recebidas pelo Primeiro a Saber, o almoço/janta nos RUs da UFV eram R$ 1,90 e com o aumento deve chegar aos R$ 9.

A UFV possui restaurantes universitários nos seus três campi. Os restaurantes oferecem café da manhã, almoço e jantar, de segunda a sexta-feira; além de café da manhã e almoço aos sábados e domingos.

No campus Viçosa, são três restaurantes universitários (RU I, RU II e MU). O RU I oferece todas as refeições – café da manhã, almoço e jantar – aos finais de semana. Durante os dias de semana, o café da manhã é servido, com horário estendido, das 6h30 às 8h, apenas no Multiuso (MU), que não oferece mais almoço. O RU I fica localizado na Avenida PH Rolfs, entre a Biblioteca (BBT) e o Espaço de Convivência, na região central do campus universitário; o RU II fica próximo ao Departamento de Zootecnia, na Avenida PH Rolfs; o MU está entre o Centro de Vivência e o Prédio Arthur Bernardes, também na região central do campus universitário.

Valores anteriores ao reajuste. Fonte: UFV

Na última quarta-feira (17) a UFV um matéria em seu site informando que “Corte de verbas no orçamento da UFV ameaça manutenção de atividades essenciais”

De acordo com a matéria, os cortes crescentes dos últimos anos no orçamento da Universidade e a redução do repasse de recursos do Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) obrigaram a UFV a repensar uma nova política de preços para os restaurantes universitários (RUs). Desde março, uma comissão formada por representantes da administração, servidores técnico-administrativos da área de alimentação e de entidades estudantis dos três campi vem estudando caminhos para a construção desta nova política visando especialmente aos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, ou seja, com renda per capita de até 1,5 salário mínimo.

Segundo a UFV, se a instituição mantenha a atual política de preços dos RUs seriam necessários, para 2022, investimentos em torno de R$ 20 milhões. Isso significaria R$ 4.882.013,00 a mais do que os R$ 15.117.987,00 previstos pelo Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para o Pnaes, ainda sujeito a cortes e vetos. E aqui vale destacar que, além de subsidiar as refeições, os recursos do Pnaes também são utilizados para pagamentos de auxílios para estudantes em vulnerabilidade socioeconômica, manutenção das moradias estudantis, dentre outras ações direcionadas à assistência estudantil. Como disse, no final do Fórum, a professora Sylvia do Carmo Castro Franceschini, pró-reitora de Assuntos Comunitários, “temos que tomar atitudes que nem sempre agradam. Mas vivemos sob um guarda-chuva que é o orçamento e sem ele não se faz nada”.

Para que a comunidade acadêmica entendesse os cálculos que envolvem a receita e as despesas da UFV, o pró-reitor de Planejamento e Orçamento, Evandro Rodrigues de Faria, apresentou números e abordou as perspectivas para a instituição em 2022, quando um cenário ainda maior de despesas se vislumbra. Em função dos novos protocolos de biossegurança de combate à pandemia, por exemplo, serão necessários mais investimentos em profissionais e materiais de limpeza. Aliado a isso, o retorno das atividades presenciais em janeiro impactará no consumo maior de energia elétrica e na volta de profissionais terceirizados que foram temporariamente dispensados. E isso num cenário de inflação e em que a indexação de muitos contratos mantidos pela UFV se dá pelo IGPM que acumula alta de mais de 20%.

Com a convicção de quem lida com as contas do dia a dia, Evandro afirmou que o orçamento previsto para o próximo ano não será suficiente para manter as despesas necessárias para o funcionamento da Universidade. Por isso, segundo ele, ficará difícil para a instituição alocar recursos adicionais para a assistência estudantil, como vinha fazendo nos últimos anos. Somente em 2020, a UFV investiu cerca de R$ 8 milhões, além dos R$ 14.608.290,00 repassados pelo Pnaes. O corte em todas as ações orçamentárias da UFV e a baixa previsão de arrecadação não permitirão à Universidade assumir os desafios que estão colocados para a assistência estudantil. Dentre eles, o possível reajuste no valor das refeições face ao aumento de preços dos gêneros alimentícios. O professor Evandro também lembrou que, além de o orçamento da assistência estudantil não ter aumento real desde 2019, ele ainda sofreu um corte de R$ 3 milhões, de 2020 para 2021.

Veja a matéria na íntegra no site da UFV https://www2.dti.ufv.br/noticias/scripts/exibeNoticiaMulti.php?codNot=36207&link=corpo

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