quarta-feira, 17 de junho de 2026
Urgente

Greve dos professores estaduais suspensa após ALMG derrubar veto de Zema

Greve dos professores estaduais suspensa após ALMG derrubar veto de Zema
Servidores da educação realizaram assembleia geral na Praça da ALMG, em Belo Horizonte Foto Foto: Danilo Candombe/Sindutemg

Professores suspenderam a greve, mas só retornarão às escolas na segunda-feira (18)

Em assembleia geral realizada na tarde desta terça-feira (12), professores e servidores da educação em Minas Gerais votaram por suspender a greve iniciada no dia 9 de março. Porém, de acordo com o SindUTE-MG, eles só retornarão às salas de aula a partir da próxima segunda-feira (18).

A principal reivindicação da categoria era o pagamento do piso salarial nacional, o que implica o reajuste de 33,24% nos salários dos professores. O governador Romeu Zema (Novo) vetou o percentual, mas na manhã desta terça os deputados estaduais reverteram a decisão do governador em votação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Agora, Zema tem 48 horas para sancionar o reajuste para a educação, assim como 14% para a saúde e para a segurança. Caso ele não o faça, cabe ao presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Agostinho Patrus (PSD), promulgar a medida.

Os professores também aprovaram a manutenção do estado de greve. Isso significa que eles estão em alerta e podem voltar a fazer greve a qualquer momento, caso o piso não seja pago, por exemplo.

Governo Zema anuncia que vai à Justiça contra veto derrubado pela ALMG

O governo Zema informou, em comunicado divulgado na noite desta terça-feira (12), que irá à Justiça contra a decisão da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) de conceder 33% adicionais para a educação e 14% adicionais para a saúde e a segurança pública.

Zema havia vetado esses percentuais e concedido apenas 10% para todo o funcionalismo, como havia sido proposto inicialmente pelo governo. Nesta terça-feira, porém, os deputados estaduais derrubaram o veto.

O Palácio Tiradentes argumenta que, ao criarem despesas adicionais, os parlamentares não indicaram a fonte dos recursos, como exige a legislação. Além da concessão dos percentuais, os deputados incluíram no texto a previsão de pagamento de auxílio social para os servidores inativos e pensionistas das forças de segurança e anistia para os servidores grevistas da educação.

Todas essas medidas estão incluídas nos artigos 10 e 11 do texto. “O artigo 10, inserido a partir de emenda parlamentar, viola o processo legislativo previsto na Constituição do Estado, ao acarretar aumento substancial das despesas públicas relativas ao pagamento dos servidores, sem que haja previsão da fonte de custeio. O artigo 11, outro dispositivo de autoria parlamentar, também não é acompanhado da estimativa do impacto orçamentário e financeiro”, justificou o governo Zema.

“A irresponsabilidade na gestão de pessoal pode precarizar e inviabilizar a prestação de diversos serviços públicos e agravar ainda mais a sustentabilidade fiscal do Estado. Logo, medidas inconsequentes sob o prisma fiscal podem comprometer a própria gestão de pessoal, prejudicando a regularidade do pagamento dos servidores públicos ativos e inativos e dos pensionistas, o que já aconteceu em passado recente”, acrescentou o Palácio Tiradentes.

O governo ainda ressaltou que a recomposição salarial de 10% para todo o funcionalismo, que já foi sancionado, será aplicado em relação à folha salarial de abril, a ser paga em maio. “Esses pagamentos independem de eventuais decisões do Poder Judiciário”, afirma o comunicado.

Confira o posicionamento do governo na íntegra:

“O Governo de Minas aguarda o envio de texto pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais sobre o reajuste salarial dos servidores de Minas Gerais, após alterações ocorridas nesta terça-feira (12/4). A atual gestão do Governo de Minas Gerais preconiza a responsabilidade fiscal e a legalidade, o que continuará sendo feito; por isso, e em respeito a todos servidores e cidadãos, irá à Justiça contra os artigos 10 e 11 do texto.

O artigo 10, inserido a partir de emenda parlamentar, viola o processo legislativo previsto na Constituição do Estado, ao acarretar aumento substancial das despesas públicas relativas ao pagamento dos servidores, sem que haja previsão da fonte de custeio. O artigo 11, outro dispositivo de autoria parlamentar, também não é acompanhado da estimativa do impacto orçamentário e financeiro.

A irresponsabilidade na gestão de pessoal pode precarizar e inviabilizar a prestação de diversos serviços públicos e agravar ainda mais a sustentabilidade fiscal do Estado. Logo, medidas inconsequentes sob o prisma fiscal podem comprometer a própria gestão de pessoal, prejudicando a regularidade do pagamento dos servidores públicos ativos e inativos e dos pensionistas, o que já aconteceu em passado recente. Somente em 6 de agosto de 2021, após cinco anos e meio de recebimento dos vencimentos de forma parcelada, foi possível que a atual gestão do Governo de Minas regularizasse o pagamento integral dos salários de todo o funcionalismo público. Desde então, os servidores do Estado recebem no quinto dia útil, sem atrasos.

Vale destacar que o reajuste salarial de 10,06% para todos servidores públicos estaduais foi sancionado no dia 4 de abril de 2022 e começará a ser pago em maio, bem como a ampliação para o auxílio vestimenta e abono fardamento aos membros ativos das Forças de Segurança. Esses pagamentos independem de eventuais decisões do Poder Judiciário. O Governo de Minas reitera seu compromisso com a responsabilidade fiscal e legalidade.”

Por O Tempo