sexta-feira, 31 de julho de 2026
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Uso de inteligência artificial em fake news cresce 308% e amplia desafio para as Eleições 2026

Uso de inteligência artificial em fake news cresce 308% e amplia desafio para as Eleições 2026
Imgem: Magnific

Estudo aponta aumento da produção de conteúdos manipulados com inteligência artificial e especialistas destacam desafios para o combate à desinformação no período eleitoral

A produção e a disseminação de conteúdos falsos com uso de inteligência artificial cresceram 308% entre 2024 e 2025 no Brasil. O dado faz parte da primeira edição do Panorama da Desinformação no Brasil, elaborado pelo Observatório Lupa, que aponta uma mudança no cenário da circulação de informações falsas no país.

Segundo o levantamento, 81,2% das fake news produzidas com apoio de inteligência artificial surgiram nos últimos dois anos. O estudo indica que a tecnologia passou de recurso experimental para ferramenta recorrente na criação de conteúdos manipulados.

Entre os materiais identificados estão notícias fabricadas por geradores de imagem e deepfakes (vídeos capazes de simular falas e expressões de figuras públicas). Em 2025, 45% dessas publicações apresentavam viés ideológico, percentual superior aos 33% registrados em 2024.

Especialistas em Direito Eleitoral afirmam que o avanço da inteligência artificial representa um novo desafio para o ambiente democrático, principalmente diante das Eleições 2026. Para o advogado Roosevelt Arraes, a tecnologia aumentou tanto o volume quanto o grau de realismo dos conteúdos falsos, dificultando sua identificação pelos eleitores.

Nos últimos anos, a Justiça Eleitoral ampliou medidas para enfrentar a desinformação. Entre as iniciativas estão a remoção de conteúdos, acordos com plataformas digitais e o entendimento de que informações verdadeiras divulgadas fora de contexto também podem configurar irregularidades.

Apesar dessas ações, especialistas avaliam que a velocidade da produção e da disseminação de conteúdos manipulados continua sendo um obstáculo. Segundo Arraes, perfis automatizados, conhecidos como bots, contribuem para a divulgação em larga escala de informações sem verificação.

O advogado Luiz Gustavo de Andrade afirma que a legislação brasileira dispõe de instrumentos para enfrentar a desinformação, como o direito de resposta, a remoção de conteúdos das plataformas digitais e a responsabilização civil e criminal dos envolvidos. No entanto, ele destaca que a velocidade das redes digitais dificulta respostas antes que o conteúdo alcance grande circulação.

Os especialistas também apontam mudanças nas estratégias de desinformação. Em vez da divulgação de notícias totalmente falsas, cresce o uso de conteúdos verdadeiros apresentados fora de contexto, cortes seletivos de declarações, deepfakes, grande volume de publicações e compartilhamento em redes fechadas, como grupos de WhatsApp e Telegram.

De acordo com Andrade, o objetivo dessas práticas pode ser gerar dúvidas no eleitorado. Já Arraes observa que a produção de conteúdos manipulados se tornou mais acessível devido à redução dos custos proporcionada pelas ferramentas de inteligência artificial.

A legislação eleitoral prevê punições para quem produz ou divulga desinformação, especialmente durante campanhas eleitorais. As sanções podem incluir indenizações, enquadramento por propaganda irregular e responsabilização por crimes como calúnia e difamação. Segundo Arraes, a Justiça Eleitoral considera fatores como intenção, alcance e impacto para definir a responsabilização.

O estudo também apresenta orientações para reduzir o risco de compartilhamento de informações falsas. Entre as recomendações estão verificar se a informação aparece em mais de uma fonte confiável, conferir se o conteúdo está completo e contextualizado, confirmar a data da publicação e avaliar se a mensagem busca provocar reação emocional imediata antes do compartilhamento.

Para os especialistas, o avanço da tecnologia exige atenção permanente das instituições e dos usuários das plataformas digitais. Eles destacam que a forma como cada informação é consumida e compartilhada pode influenciar a velocidade de propagação da desinformação durante o processo eleitoral.

Fonte: Men Comunicação