segunda-feira, 8 de junho de 2026
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MPMG apresenta detalhes da ação que prendeu agentes públicos por corrupção

MPMG apresenta detalhes da ação que prendeu agentes públicos por corrupção

Coletiva de imprensa com representantes do Ministério Público e das polícias Militar e Civil apresentou novos detalhes da Operação “Transformers”.

Uma ação realizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) na última quinta-feira (20) prendeu um delegado e seis investigadores por suposto envolvimento em crimes de tráfico de drogas e corrupção passiva. Chamada “Operação Transformers”, ela se deu por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) – Regional da Zona da Mata, em conjunto com as polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal.

Promotor T

A operação tem o objetivo de cumprir 250 mandados judiciais, expedidos pela 1ª Vara Criminal de Juiz de Fora, contra suspeitos de integrar organização criminosa voltada para a prática dos crimes de tráfico de drogas e associação ao tráfico, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, roubo, receptação e adulteração veicular.

Promotor Thiago Fernandes de Carvalho explicou sobre a Operação Transformers(foto: PCMG)

As equipes cumprem 31 mandados de prisão preventiva, 61 mandados de busca e apreensão, 148 mandados de sequestro de veículos, 10 mandados de sequestro e indisponibilidade de imóveis, apreensão e indisponibilidade financeira de R$55 milhões.

Promotor Thiago Fernandes de Carvalho explicou sobre a Operação Transformers(foto: PCMG)

As investigações, que duraram aproximadamente dois anos, demonstram que os investigados pertencem a uma extensa e complexa organização criminosa com atuação concentrada na Zona da Mata mineira, especialmente na cidade de Juiz de Fora. O grupo seria responsável, principalmente, por fornecimento e abastecimento de drogas para traficantes regionais.

A organização criminosa: mais de R$1 bilhão movimentado

Segundo apurado, a organização criminosa é estruturada em diversos núcleos, entre os quais estão os setores responsáveis pela logística, que envolve o fornecimento de veículos para o transporte e pagamentos de cargas de drogas; um setor financeiro, que cuida da parte gerencial da atividade econômica, notadamente do tráfico de drogas e da lavagem de dinheiro; e um setor de corrupção, responsável por proteção dos negócios ilícitos com informações privilegiadas de atividades policiais e demais condutas para evitar a responsabilização de integrantes da organização. Além disso, o grupo possui em seu eixo central um núcleo de liderança, que coordena e controla as atividades.

Dra. Flávia Mara Camargo Murta, Chefe do 4º Departamento de Polícia Civil em Juiz de Fora

Conforme o MPMG, as provas demonstram a relação simbiótica que existe entre a organização criminosa desarticulada com outras associações criminosas para a prática permanente de diversas atividades ilícitas, como comércio ilegal de peças e de veículos provenientes de crimes, tráficos de drogas locais, corrupção de agentes públicos e lavagem de dinheiro. Informações obtidas por meio de ordem judicial indicam que essas relações criminosas podem ter movimentado quase R$1 bilhão nos últimos cinco anos.

Dra. Flávia Mara Camargo Murta, Chefe do 4º Departamento de Polícia Civil em Juiz de Fora

A operação conta com a participação de oito promotores de Justiça, 24 agentes policiais do Gaeco, seis servidores do MPMG e 250 policiais das forças de segurança que participam da operação, dentre eles, 17 equipes da Corregedoria-Geral da Polícia Civil. Há o apoio de dois helicópteros, um da Polícia Miliar e outro da Polícia Rodoviária Federal.

A ação também conta com o apoio da Polícia Militar do Meio Ambiente, da Polícia Penal e da Secretaria de Estado de Fazenda.

Quem é o delegado preso?

Delegado Rafael Gomes foi preso em MG após a Operação “Transformers” — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Nascido em Ubá, cidade da Zona da Mata mineira, Rafael Gomes tem 37 anos e participou das Eleições 2022 como candidato a deputado estadual. Ele teve pouco mais de 8.400 votos e foi qualificado como suplente do partido Avante. Em 2018, o delegado também se candidatou para o mesmo cargo e recebeu mais de 20 mil votos, mas não se elegeu.

Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a descrição dos bens totaliza R$ 543.596,30, entre eles a casa onde ele foi preso na quinta-feira, localizada em um condomínio de luxo da cidade, avaliada em R$ 522.760,37.

Após a ação, o delegado foi levado para a Casa da Polícia Civil em Belo Horizonte. Na manhã desta sexta-feira (21), uma audiência de custódia será realizada. O advogado dele, Luiz Eduardo Lima, conversou com a reportagem, mas disse não ter tido acesso aos autos e preferiu não se manifestar.

Vídeos de apreensões de tráfico de drogas e bordão “a cana é certa”. Foi assim que Rafael Gomes ganhou fama em Minas Gerais. Em muitas das aparições, o servidor da Polícia Civil mostrava como “era por trás” das apreensões de drogas. Em abril deste ano, Rafael Gomes chegou a receber uma moção de aplausos em homenagem por uma operação de combate ao crime.

Com informações do Ministério Público e G1.

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