segunda-feira, 15 de junho de 2026
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Minas lidera ranking nacional de áreas urbanas em encostas de risco, aponta MapBiomas

Minas lidera ranking nacional de áreas urbanas em encostas de risco, aponta MapBiomas

Estudo divulgado nesta quarta-feira (4) revela que o estado possui 14,5 mil hectares de construções em terrenos íngremes. Juiz de Fora aparece como a 3ª cidade do país com maior ocupação nessas áreas.

Um novo levantamento do MapBiomas, divulgado nesta quarta-feira (04/03/2026), coloca Minas Gerais em um patamar de alerta máximo para desastres naturais. O estado é o que possui a maior área urbanizada em encostas íngremes no Brasil, totalizando quase 14,5 mil hectares de terrenos em alta declividade ocupados por moradias.

A divulgação ocorre apenas uma semana após a tragédia climática na Zona da Mata mineira, que deixou 72 mortos e um desaparecido, evidenciando a vulnerabilidade das ocupações em solo mineiro.

O município de Juiz de Fora, que registrou 65 das 72 mortes na última semana, ocupa a terceira posição entre as cidades brasileiras com maior área urbanizada em declive. Segundo o mapeamento, a cidade possui 1.256 hectares construídos em locais onde a inclinação representa risco severo de deslizamento.

No ranking nacional, Juiz de Fora fica atrás apenas das capitais Rio de Janeiro (1,7 mil hectares) e São Paulo (1,5 mil hectares).

O estudo do MapBiomas analisou os últimos 40 anos (1985–2024) e revelou um dado preocupante: a ocupação de áreas de risco cresce mais rápido do que a urbanização planejada.

  • Enquanto as áreas urbanas totais no Brasil cresceram 2,5 vezes, as construções em terrenos inclinados mais que triplicaram no mesmo período.
  • Em 1985, o país tinha 14 mil hectares nestas áreas; em 2024, esse número saltou para 43,4 mil hectares.

“Os episódios extremos incidem de forma mais dramática em áreas sensíveis e vulneráveis, cuja ocupação tem acontecido de forma mais acelerada do que o ritmo da urbanização total”, alerta Mayumi Hirye, coordenadora do estudo.

Além das encostas, a proximidade com corpos d’água (áreas de drenagem natural) é outro fator crítico monitorado. Em 2024, o Brasil contava com 1,2 milhão de hectares urbanos com alto risco de inundação.

As recentes enchentes em Ubá, causadas pelo transbordamento do rio que corta a cidade, reforçam a necessidade de monitorar a expansão das margens fluviais, conforme destacado pelo engenheiro ambiental Edmilson Rodrigues.

Informações Agência Brasil