sexta-feira, 3 de julho de 2026
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Debate na Câmara discute enquadramento de auxiliares da educação infantil em Viçosa

Debate na Câmara discute enquadramento de auxiliares da educação infantil em Viçosa

Audiência pública analisa impactos de lei federal e cria comissão para avaliar aplicação no município

Uma audiência pública realizada na Câmara Municipal de Viçosa, na noite de quinta-feira (2), discutiu a possibilidade de enquadramento dos auxiliares de sala da educação infantil na carreira do magistério. O debate reuniu representantes do Legislativo, do Executivo, do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) e profissionais da categoria.

A discussão teve como base a Lei Federal nº 15.326/2026, sancionada em janeiro, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e a Lei do Piso Salarial do Magistério. A norma prevê a integração de profissionais da educação infantil à carreira docente, independentemente da nomenclatura do cargo, desde que atendidos critérios específicos.

Segundo o vereador Professor Idelmino, autor do requerimento da audiência, o enquadramento exige o exercício de função docente, formação mínima na área e ingresso por concurso público. Ele destacou que a aplicação da lei depende de regulamentação municipal.

Durante o encontro, o diretor do Sind-UTE/MG em Viçosa, Paulo Gustavo Grossi da Silva, defendeu a regulamentação da lei no município e mencionou a necessidade de adequação da legislação local. Ele afirmou que a entidade buscará o enquadramento dos auxiliares na tabela do piso nacional do magistério.

A secretária municipal de Educação e Esportes, Renata Silva Cruz, afirmou que a administração está aberta ao diálogo e que a audiência marca o início da análise sobre os impactos da lei. Ela destacou que o enquadramento depende do exercício efetivo da docência, que inclui atividades como planejamento pedagógico, avaliação da aprendizagem e acompanhamento do desenvolvimento das crianças.

O procurador jurídico da Secretaria, Willer Máfia Gomide, apresentou o entendimento de que a legislação federal busca corrigir situações em que auxiliares exercem funções docentes, o que, segundo ele, não corresponde ao modelo adotado em Viçosa. Ele afirmou que a legislação municipal diferencia funções de docência e de apoio, e que o enquadramento automático pode enfrentar restrições legais.

Em contraponto, o advogado Karl Henzel de Almeida Macedo, representante do Sind-UTE, afirmou que a lei permite o enquadramento desde que os critérios sejam atendidos. Ele argumentou que a norma amplia o conceito de função docente ao considerar as atividades desempenhadas diretamente com as crianças.

Representando a categoria, Sandra Aparecida Viana afirmou que os auxiliares buscam o cumprimento da legislação federal e o reconhecimento das atividades exercidas nas escolas. Ela destacou que a atuação inclui tarefas ligadas ao processo educativo.

Durante a audiência, a vereadora Jamille Gomes questionou a distinção entre docência e apoio à docência e solicitou informações sobre possíveis medidas para valorização da categoria.

Ao final, foi definida a criação de uma comissão com representantes do Executivo, do Legislativo, do sindicato e da categoria. O grupo terá prazo de até 60 dias para apresentar um estudo sobre a viabilidade jurídica do enquadramento e propor alternativas de valorização.

Entre os pontos a serem analisados estão o impacto financeiro e a possibilidade de vinculação salarial ao piso nacional do magistério. A administração municipal informou que eventuais decisões devem considerar os limites legais e orçamentários.

A audiência foi transmitida ao vivo e está disponível no canal da Câmara Municipal na internet.