segunda-feira, 24 de agosto de 2026
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Ovos são associados a menor risco de Alzheimer em estudo com quase 40 mil participantes

Ovos são associados a menor risco de Alzheimer em estudo com quase 40 mil participantes

Pesquisa acompanhou 39.498 pessoas por mais de 15 anos e identificou associação entre frequência do consumo de ovos e risco de diagnóstico da doença

Um estudo publicado em 2026 no The Journal of Nutrition, periódico da American Society for Nutrition, identificou uma associação entre o consumo de ovos e um menor risco de diagnóstico da doença de Alzheimer. A pesquisa acompanhou 39.498 participantes durante uma média de 15,3 anos e registrou 2.858 casos da doença no período.

De acordo com os dados, pessoas que consumiam ovos cinco ou mais vezes por semana apresentaram risco 27% menor de diagnóstico de Alzheimer em comparação com aquelas que raramente ou nunca consumiam o alimento.

A associação também apareceu em outras frequências de consumo. Entre os participantes que comiam ovos de uma a três vezes por mês, o risco foi 17% menor. O mesmo percentual foi registrado entre aqueles que consumiam o alimento uma vez por semana. Já o consumo de duas a quatro vezes por semana esteve associado a uma redução de 20%.

Em outra análise, os pesquisadores observaram que a ausência de consumo de ovos esteve associada a um risco 22% maior de Alzheimer em comparação com uma ingestão de aproximadamente 10 gramas por dia.

Segundo o neurologista e professor da Afya Montes Claros, Dr. Marcelo José da Silva de Magalhães, uma das hipóteses para a associação envolve a colina, nutriente encontrado na gema do ovo. A substância participa da produção de acetilcolina, neurotransmissor relacionado à memória, aprendizagem e atenção.

O médico também cita fatores de risco que não podem ser modificados, como genética, presença do gene APOE ε4, idade, histórico de traumatismo cranioencefálico e histórico familiar da doença.

Entre os fatores modificáveis estão perda auditiva, baixa escolaridade, hipertensão, obesidade, tabagismo, inatividade física, diabetes, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, depressão, comprometimento visual, exposição à poluição atmosférica e isolamento social.

A médica geriatra e professora da Afya Contagem, Dra. Érica Abjaudi, explica que a alimentação participa de processos relacionados à inflamação sistêmica e ao estresse oxidativo. Ela também destaca a relação entre a microbiota intestinal, o sistema imunológico e a produção de neurotransmissores.

Segundo a médica, os cuidados com a saúde cerebral devem começar ainda no início da vida adulta. Alterações no cérebro relacionadas ao Alzheimer podem começar a se desenvolver entre 20 e 30 anos antes dos primeiros sintomas clínicos de perda de memória.

Entre 20 e 40 anos, a orientação é estabelecer hábitos relacionados à saúde vascular e ao estilo de vida. Na faixa dos 40 aos 65 anos, ganham importância o acompanhamento da pressão arterial, glicemia e colesterol, além dos cuidados com a audição e a manutenção da massa muscular.

A partir dos 65 anos, intervenções também podem contribuir para a neuroplasticidade, a marcha, a prevenção de quedas e a preservação da autonomia.

Entre as medidas citadas pela médica estão a prática regular de atividade física, estímulos cognitivos, sono reparador e manutenção de atividades sociais.

Dados da Alzheimer’s Disease International apontam que mais de 55 milhões de pessoas conviviam com demência no mundo em 2020. A estimativa é de 78 milhões de pessoas em 2030 e 139 milhões em 2050. Cerca de 60% das pessoas com demência vivem atualmente em países de baixa e média renda.

Informações: Magnific