terça-feira, 20 de outubro de 2026
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Número de mulheres protegidas pelo botão do pânico dobra em Minas Gerais

Número de mulheres protegidas pelo botão do pânico dobra em Minas Gerais

Estado passou de 610 para 1.226 vítimas atendidas pelo dispositivo entre agosto de 2025 e setembro de 2026; acordo entre instituições busca integrar o monitoramento de agressores e a execução de medidas protetivas

O número de mulheres em situação de violência doméstica e familiar protegidas por Unidades Portáteis de Rastreamento (UPRs), conhecidas como botões do pânico, dobrou em Minas Gerais entre agosto de 2025 e setembro de 2026. O total passou de 610 para 1.226 vítimas, um aumento de 100,98%. Os dados são da Diretoria de Gestão e Monitoramento Eletrônico, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

A ampliação integra o acompanhamento de uma política de proteção fortalecida por um Acordo de Cooperação Técnica articulado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O documento reúne também o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais (DPMG) e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese).

O acordo estabelece um fluxo estadual integrado para a gestão de riscos, a avaliação e a fiscalização da monitoração eletrônica de autores de violência doméstica e familiar contra a mulher. A iniciativa também prevê a utilização das unidades portáteis disponibilizadas às vítimas.

Conforme o levantamento de 30 de setembro de 2026, Minas Gerais tinha 2.950 pessoas com monitoramento eletrônico ativo. Desse total, 1.724 eram agressores acompanhados por tornozeleiras eletrônicas e 1.226 eram vítimas protegidas pelos dispositivos de rastreamento.

Em 31 de agosto de 2025, o sistema registrava 999 agressores monitorados e 610 vítimas com UPRs, somando 1.609 pessoas. Na comparação entre os períodos, o número de agressores monitorados cresceu 72,57%, enquanto o total de pessoas acompanhadas pelo sistema aumentou 83,34%.

Proteção chega a mais municípios do interior

Os dados também mostram a ampliação da cobertura da política pública fora da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Em setembro de 2026, das 1.226 vítimas protegidas, 762 estavam vinculadas à região metropolitana e 464 residiam no interior de Minas Gerais.

Na comparação com agosto de 2025, o crescimento proporcional do número de vítimas protegidas no interior foi de 36,87%. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o aumento registrado foi de 18,69%.

De acordo com a promotora de Justiça Denise Guerzoni, coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAO-VD) do MPMG, a cooperação entre as instituições busca melhorar a troca de informações e identificar situações em que as determinações judiciais ainda não foram efetivamente implementadas.

Como funciona o botão do pânico

A Unidade Portátil de Rastreamento permite alertar a vítima sobre situações de aproximação indevida do agressor, conforme os parâmetros estabelecidos pela Justiça. O dispositivo também possibilita o acionamento das forças de segurança quando necessário.

O equipamento pode funcionar de forma independente ou integrada à monitoração eletrônica do autor da violência. Dessa maneira, auxilia na fiscalização das restrições determinadas judicialmente e oferece um recurso adicional para solicitar atendimento das forças de segurança.

Segundo Denise Guerzoni, o compartilhamento de informações entre os órgãos envolvidos contribui para identificar falhas na execução das medidas protetivas e orientar as ações da rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.

A promotora ressalta, porém, que o aumento do número de pessoas monitoradas não permite atribuir exclusivamente ao acordo todas as mudanças registradas. Para avaliar os resultados da política pública, é necessário acompanhar outros indicadores, como a efetividade das medidas protetivas, a prevenção de novas ocorrências e a segurança das mulheres atendidas.

O MPMG destaca que o acompanhamento contínuo dos dados e o aprimoramento da atuação conjunta são necessários para avaliar os resultados e identificar possibilidades de ampliar a proteção oferecida às vítimas em Minas Gerais.

Informações: MPMG