sexta-feira, 24 de julho de 2026
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Professor da UFV é eleito membro da Academia Brasileira de Ciências

Professor da UFV é eleito membro da Academia Brasileira de Ciências

Francisco Murilo Zerbini Júnior, do Departamento de Fitopatologia, tem um currículo de impacto acadêmico e social inegável. Um de seus trabalhos mais relevantes discutiu o evento de comportamento viral que causou a pandemia do novo coronavírus.

O professor Francisco Murilo Zerbini Júnior (57), do Departamento de Fitopatologia da UFV, acaba de ser eleito para integrar a prestigiada Academia Brasileira de Ciências (ABC), na área de Ciências Agrárias. A posse será em maio de 2024, durante a Reunião Anual da ABC, no Rio de Janeiro.

Para ele, que atualmente é também assessor especial da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, é um reconhecimento muito importante para o trabalho que conduz na Universidade. 

Murilo Zerbini é especialista em estudos sobre taxonomia, ecologia e evolução de vírus. Em sua carreira, tem grandes conquistas como mais de 180 artigos publicados, quase 30 capítulos de livros como autor, cerca de 300 trabalhos apresentados em congressos. Além disso, é orientador de dezenas de novos pesquisadores, editor de revistas científicas e membro de comitês de assessoramento em agências financiadoras de pesquisas.

Clube Exclusivo: Como o professor conseguiu o feito

Apesar desse currículo impressionante, ele não é o suficiente para fazer um pesquisador se tornar membro da Academia Brasileira de Ciências. Para conseguir o feito de Francisco, é preciso ainda dar contribuições efetivas para a sociedade ou para o progresso do conhecimento científico. Entre tantos trabalhos, alguns dos que o professor Murilo destaca são:

  • Sua atuação no Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus como membro em 2017, conduzindo virologistas de todo o mundo para a reformulação da taxonomia de vírus, incorporando dados de metagenômica. O trabalho foi considerado revolucionário, permitindo o entendimento do relacionamento evolutivo entre os vírus, a partir de eventos independentes de origem. De acordo com o professor Zerbini, “muito mais do que um exercício acadêmico, a nova taxonomia unificou o universo viral e permitiu, pela primeira vez, uma visão global da diversidade e do relacionamento entre os vírus”.
  • Seu grupo de pesquisa, ao longo de vários anos, demonstrou que as populações de begomovírus no Brasil têm uma série de características únicas que conferem a eles uma enorme capacidade adaptativa. O trabalho tornou-se uma referência em estudos de ecologia e evolução de vírus de plantas e deu grandes contribuições ao combate de pragas causadas por geminivírus, um importante grupo de vírus de plantas.
  • Outra pesquisa desse mesmo grupo descreveu os fatores ecológicos e evolucionários que afetam o surgimento de novos geminivírus. O trabalho, publicado em 2019, discutiu a importância dos eventos de spillover (salto de hospedeiros), a partir de populações naturais. Um ano depois, um evento de spillover zoonótico causou a pandemia do novo coronavírus. “Embora os fatores que afetam a emergência de vírus em plantas e animais certamente não sejam os mesmos, existem semelhanças suficientes para permitir que estudos da ecologia e evolução de vírus de plantas auxiliem na compreensão desse fenômeno em animais e humanos”, afirmou.

Dentre vários outros trabalhos referências e que mudaram campos de estudo, o novo membro da ABC foi ainda coordenador do Programa de Pós-Graduação em Fitopatologia por seis anos. Como professor, orientou, até agora, 30 dissertações de mestrado e 37 teses de doutorado. E, entre tantas produções científicas, é esse seu maior orgulho: “Minha grande alegria é ter meus ex-orientados como professores e pesquisadores em universidades e institutos de pesquisa em 22 estados brasileiros e em países emergentes, como Argentina, Colômbia, Cuba, Equador, Moçambique e Nigéria“. 

A UFV na ABC

Com a nomeação de Murilo Zerbini, a UFV tem, atualmente, quatro membros efetivos na ABC: Elizabeth Pacheco Batista Fontes (2008) e os professores já aposentados Evaldo Ferreira Vilela (2012) e Acelino Couto Alfenas (2018).

Divulgação Institucional UFV