sexta-feira, 3 de julho de 2026
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Pesquisadores da UFV instalam novo sítio de monitoramento no Ártico para estudar solos congelados

Pesquisadores da UFV instalam novo sítio de monitoramento no Ártico para estudar solos congelados

Expedição amplia rede internacional de pesquisa sobre mudanças climáticas e comportamento do permafrost

Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) instalaram recentemente um novo sítio de monitoramento de temperatura e umidade do solo no Ártico. A expedição foi realizada pelos professores Márcio Francelino e Carlos Schaefer, do Departamento de Solos, e pelo mestrando Alex Pinheiro.

O trabalho integra os esforços da universidade em pesquisas relacionadas às mudanças climáticas em regiões polares. Há mais de 20 anos, a UFV participa do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), mantendo expedições anuais para a Antártica. Até o momento, os pesquisadores já instalaram 33 sítios de monitoramento na Antártica e outros oito na Cordilheira dos Andes, formando a maior rede mundial dedicada ao acompanhamento do permafrost, ou solo congelado, em áreas de alta montanha.

No Ártico, a equipe esteve na Geleira Russell, localizada no Círculo Polar Ártico e ligada ao segundo maior manto de gelo do planeta. A região, em processo de retração, é considerada estratégica para acompanhar as transformações ambientais. Além da instalação do segundo ponto de monitoramento da UFV na região, os pesquisadores realizaram manutenção e aprimoramento de sensores já existentes, responsáveis por medir temperatura, umidade e concentração de CO2 no solo. Também foi ampliada a coleção de solos árticos para futuras análises comparativas entre diferentes ambientes polares.

Segundo o professor Márcio Francelino, os dados obtidos nas expedições anteriores à Antártica e à Cordilheira dos Andes já permitiram mapear e quantificar estoques de carbono orgânico do solo em diferentes profundidades. Os resultados mostraram que o Polo Norte apresenta maiores emissões de carbono dos solos para a atmosfera, enquanto na Antártica o degelo do permafrost libera menos CO2, podendo inclusive reduzir emissões.

O objetivo das novas coletas é aprimorar modelos preditivos sobre o impacto do aquecimento global e compreender melhor o papel dos solos na mitigação das emissões de carbono. Oceanos, solos e florestas são considerados importantes sumidouros naturais de carbono, desempenhando papel essencial no equilíbrio climático global.

Informações: UFV