domingo, 12 de julho de 2026
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Minas fortalece controle da cachaça para prevenir contaminações por metanol

Minas fortalece controle da cachaça para prevenir contaminações por metanol

Centro de referência da Ufla recebe apoio estadual para garantir a pureza da cachaça e orientar produtores sobre boas práticas

Minas Gerais reforçou o controle de qualidade da cachaça de alambique com apoio técnico e financeiro ao Centro de Referência em Análise de Qualidade de Cachaça (CRAQC), da Universidade Federal de Lavras (Ufla). O objetivo é garantir segurança ao consumidor e apoiar produtores no controle de pureza da bebida. O estado responde por quase 40% dos estabelecimentos registrados no país e tem produção anual de 13,5 milhões de litros de cachaça, com mais de 2,4 mil marcas cadastradas.

O CRAQC atua na análise técnica de amostras e certificação da cachaça produzida em Minas. Desde sua reestruturação em maio de 2024, o Centro já recebeu R$ 3,7 milhões em investimentos da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Com o uso de cromatografia em fase gasosa com detector de ionização de chamas (GC/FID), o CRAQC identifica níveis de metanol na bebida, uma substância que, em grandes concentrações, pode causar intoxicações e até óbitos. Os recursos investidos permitiram a aquisição de novos instrumentos para análises de maior precisão.

De acordo com a coordenadora do Centro, professora Maria das Graças Cardoso, a contaminação pode ocorrer por falhas no processo de produção, como filtragem inadequada do caldo da cana e erros na separação da “fração de cabeça” na destilação. A legislação brasileira permite até 20 mg de metanol a cada 100 ml de álcool anidro. O CRAQC recomenda a retirada de 1% a 10% do volume total destilado na primeira fase para eliminar o metanol.

Além da análise laboratorial, o CRAQC oferece consultoria gratuita a produtores, promove capacitações e distribui materiais educativos sobre boas práticas de fabricação. A empresa Rainha da Cana, de Alto Rio Doce, conseguiu a certificação da sua cachaça com apoio do centro. Segundo o proprietário Epitácio Oliveira Cardoso, a adequação ao padrão de qualidade permitiu ampliar as vendas e acessar novos mercados.

O centro também atua na regularização de novos rótulos e no incentivo à formalização de produtores, contribuindo para o fortalecimento do setor no estado.

Informações: UFLA