Acordo de cinco anos, anunciado na Conferência Mundial da IASP, prevê soft landing, aceleração conjunta e troca de redes de investidores entre Viçosa e a Cidade do Panamá
O Parque Tecnológico de Viçosa (tecnoPARQ), vinculado à Universidade Federal de Viçosa (UFV), firmou um acordo de cooperação internacional com a Fundação Ciudad del Saber, do Panamá. A parceria foi anunciada durante a Conferência Mundial da IASP (Associação Internacional de Parques Científicos e Áreas de Inovação), realizada na França, e abre caminho para que startups de Viçosa testem e expandam seus negócios na América Central.
O Memorando de Entendimento foi formalizado em outubro de 2026, com assinatura eletrônica dos dirigentes das duas instituições, e tem vigência inicial de cinco anos. Segundo o tecnoPARQ, o acordo não prevê repasse financeiro direto neste primeiro momento.
Foi no mesmo evento que a diretora executiva do parque, Adriana Ferreira de Faria, apresentou o modelo de inovação agroalimentar desenvolvido em Viçosa a especialistas de vários países.

O que prevê o acordo
- Projetos conjuntos de longo prazo para fortalecer as economias de inovação das duas regiões;
- Incubação e aceleração compartilhadas, com capacitação, mentoria, congressos e eventos para startups e gestores de parques tecnológicos;
- Intercâmbio científico e tecnológico, com troca de conhecimento, consultorias e materiais de pesquisa e desenvolvimento;
- Conexão de redes, com compartilhamento de portfólios de startups, investidores-anjo, fundos de venture capital e empresas parceiras;
- Soft landing nos dois sentidos: apoio para que empresas brasileiras se instalem e validem produtos no Panamá, e para que empresas panamenhas façam o mesmo no Brasil.
Por que o Panamá
A Ciudad del Saber fica na Cidade do Panamá, na área de uma antiga base militar norte-americana, Fort Clayton, convertida em polo de conhecimento. O espaço reúne empresas de tecnologia, centros de pesquisa, universidades e organismos internacionais, incluindo agências da ONU.
Com posição geográfica estratégica, estabilidade financeira e tradição como centro logístico e de negócios das Américas, o Panamá funciona como porta de entrada para empresas brasileiras que querem alcançar a América Central, o Caribe e outros mercados.
O que muda para Viçosa
Para as startups, a parceria oferece um ponto de apoio na América Central, validação de produtos em novos mercados, mentoria cruzada e acesso a fundos de investimento e multinacionais instaladas no Panamá. Para o tecnoPARQ, reforça o papel de polo de internacionalização e de atração de startups estrangeiras.
O tecnoPARQ avalia que o acordo também projeta Viçosa internacionalmente como polo de ciência aplicada e tecnologia, com apoio da Lei Municipal de Inovação nº 3.248/2026, que oferece segurança jurídica e incentivos para atrair investimentos à cidade. No plano nacional, a expectativa é ampliar a presença de agritechs brasileiras no exterior.
Próximos passos
Com o memorando assinado, as duas instituições devem começar a executar quatro frentes:
- programas de mobilidade empresarial, presenciais e remotos, para startups dos dois parques;
- rodadas de negócios aproximando scale-ups, investidores e grandes empresas;
- uma rede de mentoria cruzada com especialistas e executivos brasileiros e panamenhos;
- chamadas conjuntas de inovação aberta para atender demandas de governos e grandes empresas.
Internacionalização no tecnoPARQ
O tecnoPARQ foi o primeiro parque tecnológico a entrar em operação em Minas Gerais e integra redes como a IASP, a Anprotec e a ENRICH, rede apoiada pela União Europeia. Desde 2020, o parque é credenciado como ENRICH Soft Landing Hub, estrutura que recebe empresas estrangeiras interessadas no mercado brasileiro.
Para as empresas de Viçosa que querem ir para fora, o parque mantém o programa Smart Take-off, que faz diagnóstico e plano de entrada no mercado-alvo, e ações de aceleração cruzada, como o programa Brasilesia, que promove intercâmbio entre startups brasileiras e estrangeiras.
Com informações do Centev/UFV.

