Participantes cobraram acolhimento, manutenção de profissionais de apoio escolar e esclarecimentos sobre procedimentos adotados na rede municipal
As demandas das famílias atípicas e a inclusão escolar de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) foram tema da Tribuna Livre durante reunião ordinária da Câmara Municipal de Viçosa. As manifestações foram feitas por Natália Ramos de Almeida e Paula Trindade, que abordaram desafios enfrentados por famílias, estudantes e profissionais de apoio escolar.
A primeira a utilizar a Tribuna Livre foi Natália Ramos de Almeida, mãe de três crianças autistas. Durante sua participação, ela relatou as dificuldades vivenciadas pelas famílias atípicas e pediu mais respeito às pessoas com deficiência e às mães que acompanham diariamente o atendimento e o desenvolvimento dos filhos.
Natália afirmou que a rotina das famílias envolve desafios relacionados à busca por direitos e ao acesso aos serviços. Ela também relatou a situação de seu filho Gabriel, que, segundo informou, teve negado o convívio escolar com outras crianças e atualmente frequenta apenas a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). De acordo com seu relato, essa condição limita a socialização da criança.
Ao encerrar a participação, Natália pediu que a sociedade e o poder público ampliem o acolhimento e a compreensão sobre a realidade das famílias atípicas.
Na sequência, Paula Trindade utilizou a Tribuna Livre para tratar da possível retirada de profissionais de apoio escolar de estudantes atendidos pela educação especial. Representando a Associação Brasileira de Autismo e Inclusão (ABRANI) e a Associação Família TEA de Viçosa, ela informou que as entidades receberam manifestações de dezenas de famílias preocupadas com a situação em diferentes escolas do município.
Durante sua exposição, Paula afirmou que a legislação federal não determina a retirada automática desses profissionais e defendeu que qualquer decisão seja precedida por avaliação individualizada, considerando as necessidades de cada estudante. Segundo ela, a presença do profissional de apoio contribui para o acesso à educação, à participação nas atividades escolares e ao desenvolvimento da autonomia.
Paula também questionou os critérios utilizados para eventuais desligamentos desses profissionais e solicitou que o Poder Executivo apresente esclarecimentos sobre os procedimentos adotados. Além disso, pediu que a Câmara Municipal acompanhe o tema por meio de sua função fiscalizadora.
Após as manifestações, vereadores comentaram o assunto. Maria Prisca (PT) parabenizou as participantes e reafirmou posicionamento contrário à proposta de demissão e recontratação dos profissionais de apoio escolar. Marli Coelho (PRD) informou que apresentará um pedido de informações ao Poder Executivo para obter esclarecimentos sobre a situação.
Rogério Fontes (PP) declarou que acompanha as discussões relacionadas às famílias atípicas e informou que mantém diálogo com representantes da área sobre a atuação dos profissionais de apoio escolar. Cristiano Gonçalves (Solidariedade) cumprimentou as participantes pela utilização da Tribuna Livre. O vereador Professor Idelmino (PCdoB) destacou a importância dos profissionais de apoio para a efetivação da educação inclusiva no município.
Informações: Câmara Municipal de Viçosa
