terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Setembro Amarelo: pesquisa aponta sofrimento emocional entre adolescentes

Setembro Amarelo: pesquisa aponta sofrimento emocional entre adolescentes

PeNSE 2024 mostra que 18,5% dos estudantes de 13 a 17 anos sentiram que a vida não valia a pena ser vivida; pesquisa também aponta relatos de tristeza, irritabilidade e vontade de se machucar.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março de 2026, mostram indicadores relacionados à saúde mental de adolescentes brasileiros. O levantamento ouviu 118.099 estudantes de 13 a 17 anos, em 4.167 escolas públicas e privadas de todo o país.

Segundo a pesquisa, 18,5% dos estudantes afirmaram ter sentido, na maioria das vezes ou sempre, que a vida não valia a pena ser vivida nos 30 dias anteriores à entrevista. Entre as meninas, o percentual foi de 25%, enquanto entre os meninos ficou em 12%.

Outro dado apontado pela PeNSE é que 32% dos adolescentes disseram ter sentido vontade de se machucar de propósito nos 12 meses anteriores à pesquisa. O levantamento também registrou que 28,9% dos estudantes disseram se sentir tristes. Já 42,9% relataram sentir-se irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer motivo.

Para a psicóloga Aline Rezende Graffiette, especialista em saúde mental e comportamento e fundadora da Mental One, mudanças emocionais persistentes precisam ser observadas pelos adultos. Segundo ela, tristeza e irritabilidade não significam, isoladamente, a existência de um transtorno ou risco de suicídio.

A psicóloga orienta que pais, responsáveis, professores e outros adultos próximos observem alterações no comportamento dos adolescentes. Entre os sinais estão isolamento repentino, mudanças no sono, perda de interesse por atividades, tristeza ou irritabilidade persistentes, queda no rendimento escolar e alterações na alimentação.

Também devem ser observadas mudanças na relação com amigos e familiares, além de falas recorrentes sobre falta de sentido na vida ou ausência de perspectivas.

Aline destaca que a frequência e a intensidade das mudanças devem ser consideradas. Em situações de preocupação, a orientação é buscar ajuda profissional, sem tentar resolver o problema de forma isolada.

Diferenças entre meninas e meninos

A pesquisa apresenta diferenças nos indicadores de sofrimento emocional entre os gêneros. O percentual de meninas que relataram ter sentido que a vida não valia a pena ser vivida foi mais de duas vezes superior ao registrado entre os meninos.

De acordo com a psicóloga, fatores relacionados à adolescência, como construção da identidade, busca por pertencimento, comparação social, pressão estética, medo de rejeição e necessidade de aprovação, podem fazer parte do contexto enfrentado pelos jovens.

A especialista ressalta, porém, que nenhum fator isolado deve ser utilizado para explicar os resultados.

Redes sociais também entram na discussão

O ambiente digital é outro ponto abordado pela psicóloga. Segundo Aline, a análise da relação entre adolescentes e redes sociais não deve considerar apenas o tempo de uso dos dispositivos.

Ela recomenda observar se o jovem enfrenta situações de comparação, busca constante por aprovação, comentários negativos, exclusão ou cyberbullying. Mudanças no sono provocadas pelo uso das redes e o contato com conteúdos que aumentem a ansiedade também devem ser considerados.

Para a especialista, o acompanhamento dos adultos deve incluir diálogo sobre as experiências vividas pelos adolescentes no ambiente digital.

Apoio nas escolas

A PeNSE 2024 também investigou a existência de suporte psicológico nas escolas para alunos, professores e funcionários em situações relacionadas a bullying e violência.

Segundo os dados, 47,7% dos estudantes estavam em escolas que contavam com algum tipo de suporte psicológico. Na rede pública, o percentual foi de 45,8%. Entre as escolas privadas, chegou a 58,2%.

Para Aline, a prevenção envolve família, escola, serviços de saúde e comunidade. A orientação é que o adolescente tenha acesso a pessoas e serviços aos quais possa recorrer quando precisar de ajuda.

A psicóloga também afirma que o cuidado com a saúde mental deve ocorrer antes de uma situação de crise. Para ela, falar sobre sentimentos, ouvir sem minimizar o sofrimento e buscar orientação profissional estão entre as medidas que podem contribuir para a identificação de situações que precisam de atenção

Informações: Agência Viva