Investigações apontam atuação entre 2020 e 2025 e movimentações financeiras superiores a R$ 150 milhões.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Visconde do Rio Branco, ofereceu quatro denúncias contra 26 pessoas investigadas por participação em uma organização criminosa voltada ao furto, à receptação e à comercialização de cabos de cobre. As informações foram divulgadas pelo MPMG nesta quarta-feira, 16 de setembro.
Segundo as investigações, o grupo teria atuado entre 2020 e 2025 em municípios da Zona da Mata. Entre as cidades citadas estão Visconde do Rio Branco, Juiz de Fora, Ubá, Leopoldina, Matias Barbosa, São João Nepomuceno e Barbacena.
De acordo com as denúncias, a organização dividia as atividades em quatro núcleos: execução dos furtos; articulação e logística; receptação local, processamento do cobre e administração financeira; e receptação interestadual.
O núcleo responsável pela execução, segundo o MPMG, escolhia os locais e retirava cabos das redes de telefonia, internet e energia elétrica. Parte dos investigados teria experiência profissional no setor de telecomunicações.
As investigações apontam ainda que os envolvidos utilizavam uniformes, crachás falsificados, veículos caracterizados, cones de sinalização e documentos adulterados. Esses recursos seriam usados para simular serviços de manutenção durante a retirada dos cabos.
O núcleo de articulação e logística, conforme as denúncias, recrutava participantes, organizava as equipes e definia locais de atuação. Também teria responsabilidade pelo fornecimento de veículos e equipamentos, transporte dos materiais e distribuição dos valores obtidos.
Após os furtos, o cobre era encaminhado para outro núcleo, responsável pela aquisição, armazenamento e beneficiamento do material. Segundo o MPMG, os fios passavam por processos de descaracterização, incluindo a retirada de revestimentos e a queima.
A investigação também identificou movimentações financeiras superiores a R$ 150 milhões. Segundo o Ministério Público, parte dos valores não seria compatível com a renda formal de alguns investigados. As apurações apontaram ainda o uso de contas bancárias de terceiros e empresas para movimentação dos recursos.
A quarta denúncia envolve pessoas investigadas por receptação interestadual. Conforme o MPMG, empresários e comerciantes de sucatas de Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro teriam adquirido grandes quantidades de cobre de origem ilícita.
Ainda segundo as investigações, o material era posteriormente processado e reinserido no mercado formal. O Ministério Público afirma que algumas transações não apresentavam documentação fiscal compatível com os volumes negociados.
As apurações também apontaram comunicação frequente por aplicativos de mensagens. Os envolvidos utilizariam os canais para definir datas, horários, equipes, rotas e municípios onde ocorreriam as ações.
Nas denúncias, o MPMG atribui aos investigados, conforme a participação de cada um, os crimes de organização criminosa, receptação qualificada e lavagem de capitais. O Ministério Público também pediu o pagamento de indenizações pelos danos causados às concessionárias e por danos morais coletivos.
Os furtos de cabos podem interromper serviços de telefonia, internet e energia elétrica. As ocorrências também podem gerar prejuízos econômicos para as concessionárias e afetar os serviços prestados à população.
Fonte: MPMG

